sábado, 17 de março de 2012

Minha opinião sobre preservação.

Muito se fala em preservação nos dias de hoje, e principalmente da Amazõnia que parece ser a menina dos olhos do mundo dito super civilizado.  Demarcações de terras para reservas indígenas, traçadas dentro de gabinetes com ar- condicionado, e por pessoas que nem sequer sabem o que é uma aldeia. Quase sempre em terras onde estão instalados trabalhadores produzindo, organizados, seringueiros em minha região, agricultores bem mais acima no extremo norte do Brasil, enquanto áreas imensas, criam bolsões desocupados e que bem poderiam ser entregues aos nossos índios dando a eles, o que de direito: terras nativas sem a presença dos brancos.  Vejo que agora os índios tem dinheiro, e facildades de comprar motores etc. mas não vejo ninguem interessado em cultivar seus costumes, ensinar aos jovens o valor de serem eles mesmos, de falar de suas tradições e costumes, nada.É como se o que se dá a eles, bens manufaturados, suprisse a nossa responsabilidade para com eles.Sei que o Governo os assiste com medicamentos, e é até injusto nos antigos seringais, se vê as vezes quando surge um surto de qualquer doença, os seringueiros ficam desassistidos mas, os índios não,vem helicóptero, equipe médica e muito medicamento na hora que o primeiro caso acontece.    E os índios nas cidadezinhas como a nossa,vivem bebados brigando entre eles mesmo e cada dia mais se afastando de sua Cultura e Tradição.  Outra coisa que acho que está errada,é que, nossos antigos seringueiros, adquiriram o hábito de viver da caça e pesca. E matavam tudo ou quase tudo para,comer. aves ornamentais como as Araras, Tracajás, jabutis, Antas, Porcos etc... conheci alguns que até Preguiça comiam.  Eram outros tempos.Tudo era difícil de conseguir, e não existiam as facilidades que a tecnologia proporcionou ao homem, quer seja no quesito das comunicações, quanto evolução e facilidade da implantação de meios de criações de animais, incluindo aí, a psicultura que tem um baixo custo de implantação, se for feita de maneira rustica, porém com exito na nossa região. Ora, se o governo incentivasse a criação de peixes regionais nas comunidades, colocando um técnico em psicultura que orientasse, o começo dos trabalhos, e doasse para a comunidade os primeiros peixes[Tambaquis por exemplo] logo, toda a população local teria uma fonte renovavel de abastecimento alimentar e diminuiria MUITO a pesca que mesmo artesanal, pela quantidade de pessoas que a praticam, tem seu efeito desastrado para algumas espécies.  Quando eu era um jovem rapaz, eu lembro que todos os dias no mercado de nossa cidadezinha, tinham Tambaquis de trinta, ou vinte e tantos quilos , Pirarucus imensos e muitos outros peixes que eram pescados com facilidade. Hoje, é coisa rara ver-se um Tambaqui de 25 kgs, ou mais. Sempre os maiores agora, não ultrapassam os doze quilos. De uma maneira errônea, vejo amigos meus dos seringais dizerem que o que o Deus deixou, o homem não acaba. É uma maneira de dizer que Deus é maior que tudo. A ignorancia, é o maior de todos os males, disse um sábio. Ao usar o nome de Deus, ele tenta justificar um erro que cometeu e comete, talvez tentendo explicar o inexplicável.  Aí está o erro que vejo na política de Proteção Ecológica; é necessário se dispor a gastar um pouco de dinheiro para chegar as comunidades, e deixar técnicos, e instrutores para falar de preservação, mostrando na pratica, implantando projetos de criação de peixes, de aves, e aí sim, ganhar a adesão destas pessoas de bem, que se tornarão fiscais da proteção de nosso Meio Ambiente. Existe uma falsa política de preservação das florestas, pelo menos nas pequenas derrubas, que são muito nocivas, sobretudo porque destroem madeiras de lei selecionadas.  Se houvesse da parte do governo, um apoio a quem tem terras e quer realmente preservar, seria diferente. Que se desse ao dono da terra o direito de cortar árvores, mas que esta concessão de direitos, trouxesse consigo a obrigação do replantio e manutenção de dez novas árvores para cada uma da espécie abatida e fiscalizada por um agente do governo. Assim eu acredito na manutenção da floresta. Que cada serrador que tivesse invadindo terras alheias e cortando sem regras ou limites, fosse preso e pagasse o valor da madeira roubada ao dono das terras, e ainda uma multa ao governo. Ao contrário disso, hoje existe um projeto [ou já uma lei] que desapropria as terras de antigos donos desde o tempo dos seringais, e anula ou diminui drasticamente o tamanho de suas terras, e ai vem as invasões, e a depredação da floresta, pois os costumeiros invasores dizem que agora ninguem é dono e podem fazer o que quiserem.  Gostaria de ter contato com alguma ONG Internacional, de defesa da Natureza que eu mostraria IN-LOCO o que estou dizendo, e talvez este meu grito solitário de revolta fosse ouvido.  Sou TOTALMENTE  CONTRA a internacionalização da Amazônia.Sou Brasileiro, AMO meu Pais, mas gostaria de ver um dia nosso governo, criar um grande programa de estudos sobre a Amazõnia, abrangendo todas as facetas de estudo: poder da Flora, a riqueza da Fauna, as minas de petróleo e outros minerais que existem, e que nesta missão se permitisse a inclusão de pesquisadores de outras nações, que estivessem desenvolvendo estudos nestas áreas, naturalmente que CHEFIADOS por Cientistas Brasileiros. O ganho que se teria seria imenso, e afinal, quem mais lucraria seria a propria HUMANIDADE, com a descoberta de novos remédios, de novas jazidas de minerais ricos, de um maneira mais séria e produtiva de explorar com racionalidade a Floresta.  Quem realmente ganharia com estes estudos,volto a dizer; seria a Humanidade que vive constantemente pressionada pelo preço que paga pelo desenvolvimento de alguns paises:com a POLUIÇÃO que está destruindo nosso planeta.

                                                             Ecy  Monte  Conrado 


                             O Planeta pertence a todos nós. Somos responsáveis por ele.

quinta-feira, 15 de março de 2012

As belas ARARAS.



Antes de falar sobre as Araras, devo pedir perdão as pessoas que acompanham meu Blog pela péssima qualidade da foto. Na realidade, sem muito trato com esta arte, e tambem sem um lugar que me permita pelo menos não ser a cada minuto interrompido, sempre meus desenhos ficam devendo nas publicações que a bem da verdade, são bem melhores ao natural.                                                                                         Mas deixe-me falar das Araras, as rainhas dos céus da Amazônia. Temos aqui na nossa região, duas espécies principais e uma, secundária, pois além de existir em pequenos grupos, são menores e poucas vezes são vistas. Muitas vezes confundidas com as Maracanãs, que tem em grande quantidade e de quatro tipos.  Como todos os Papagaios, as Araras, nascem com um bico dotado de resistencia e força, para quebrar cocos durissimos. É monogânima, ou seja pela vida toda, terá apenas um parceiro. Se um caçador mata uma delas [andam sempre aos pares.] a outra fatalmente morrerá pouco tempo depois, e se nesta época houverem filhotes nos ninhos, eles tambem perecerão. Donas de uma vistosa plumagem, se destacam a de predominancia Amarela, chamada de ARARA CANINDÉ e a de cor Vermelha, que pela cor é chamada :ARARA VERMELHA. A terceira que citei tem como sua cor principal, o Verde em tres tons, mesclados com o Azul. Andam em pares mas, é comum encontrar até vinte pares juntos quando existe, uma árvore com muitos frutos. Necessário se faz dizer que sempre um bando é composto de indivíduos da mesma espécie ou cor. Durante o tempo que estão comendo, fazem uma grande algazarra e muito barulho com gritos estridentes que se ouve ao longe. Faz seu ninho em ôcos de árvores geralmente bem no alto, de onde podem ver bem a chegada de predadores. Seu principal inimigo é a Harpia [Gavião Real] embora seja atacada por outros animais: Cobras,GatoMarcajá, [já vi um deles pulando sobre umas Araras, que roiam um tronco velho apodrecido. São perseguidas pela sua carne pelos caboclos e índios. Não acredito que estejam ameaçadas de extinção,mas, uma política de proibição séria devia ser desenvolvida.  Elas servem de ornamento para a Natureza. Antigamente os índios as matavam para ornar seus cocares.


                                                            Ecy  Monte  Conrado  

                  Não é justo fechar os olhos para a realidade. A matança de animais silvestres continua.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O autor, em uma exposição em Manaus


       Levado por um grande amigo meu [mais que um irmão.], o falecido ANÍSIO MELLO, Pintor, Poeta Draumaturgo, Escritor e Escultor, meio sem jeito, coloquei tres desenhos meus em uma Exposição [estes que aparecem aqui.] patrocinada pelo Sebrae Am. e, me surpreendi com a aceitação, e as visitas aos meus desenhos.  Anísio Mello, em uma época distante, passou por Eirunepé e aqui fez amizade com meu pai. Ser humano de de carater e bondade, encontrou abrigo e identificação em meu pai e começou uma amizade que perdurou enquanto meu pai era vivo. Depois de muitos anos, fui morar em Manaus, e lá encontrei este velho amigo da família. através dele, levei meus desenhos para um Salão de Artes  patrocinado pelo Sebrae, e vi meus quadros serem apreciados e elogiados pela crítica. Tornei-me amigo inseparavel do velho artista. A diferença de idade, não sobrepunha a igualdade de amantes das noitadas com belas garotas e, juntos com outros amigos, muitas vezes ficamos no calçadão da Getúlio Vargas, tomando cerveja, vendo as estudantes passarem com o seu rebolado, natural da juventude e porque não dizer; paquerar as que se insinuavam.  Hoje meu grande aamigo está pertinho de Deus, colorindo cada por do sol, e fazendo decoração para tornar mais alegre a grande tela do infinito.
                                                        Ecy Monte Conrado
              As verdadeiras amizades, devem ser cultivadas, como um jardineiro, cultiva um jardim.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Reprise para matar a saudade.



Hoje, transcorridos tantos anos longe dos seringais, vez por outra me pego perdido entre as lembranças e elas me levam de volta ao passado. Era um tempo sofrido, de muito trabalho cansativo, pesado, mas que tinha um que de poético. Quantas vezes, sem conseguir alcançar uma casa de seringueiro para dormir, tivemos que dormir em praias pequenas, e as noites escuras eram repentinamente iluminadas por uma lua que vinha enfeitar a noite na companhia de milhões de estrelas. As vezes eu tinha comigo um violão que tocava razoavelmente, e na inquietude da juventude, mesmo cansado, junto com meu irmão e um velho empregado varávamos as madrugadas dedilhando boleros romanticos.  Estes meus desenhos não são reprodução de nenhum lugar específico; são apenas fruto da imaginação que colhe retalhos da cada lugar por onde passei e embaralhados pela saudade me permitem criar minhas obras. Acho que se eu pudesse renascer, pediria  que DEUS me permitisse vir para cá.  Amo minha terra, sou um caboclo por essência, vivo com uma mulher oriunda de um seringal, nos completamos, gostamos de Natureza, de animais, de Floresta, gostamos de ser Caboclos.

                                                        ECY   MONTE   CONRADO                                                                                                     Só se ama de verdade, o que se conhece e admira.

quarta-feira, 7 de março de 2012

A FERA DAS ÁGUAS DA AMAZÔNIA


  Era uma manhã típica de inverno amazonense. Uma chuvinha fria, fina e persistente, tornava a pescaria de espinhél para pegar Matrinchãs dentro dos igapós, uma missão enfadonha e monotona, pois tinha-mos que ficar o tempo todo imovel dentro das pequenas canoas após, a armação das linhas de pesca.                       Estavamos em um grupo de quatro amigos, e de repente, a calma e tranquilidade do lugar foi quebrada pelo barulho do urro de um grande Jacaré Açu, bem perto de onde estavamos. Um de meus amigos que era morador deste seringal, sabia imitar com perfeição o animal, e, insensatamente o fez.  A resposta sonora foi imediata e ouvimos sua aproximação. Falei para o rapaz que o jacaré se aproximava, que era perigoso, e hora de parar o diálogo com ele. Chegamos nossas canoas [tres] para perto de uma árvore bem desgalhada, com os galhos roçando a superfície da água, e o nosso amigo tornou a desafiar o animal. Onde estavamos, era uma pequena área de quatro metros, que no verão seria uma curva de um garapé, e na orla existiam pequenos amontoados de capins flutuantes, nem bem o urro de imitação calou, e um grande Jacaré de aproximadamente cinco metros, surgiu enfurecido e veio em nossa direção. Com as canoas, perto da árvore, tivemos tempo de sair e subir nos galhos, e foi isto que evitou a morte certa de um de nós, pois o violento animal com uma pancada de seu rabo partiu ao meio uma das canoas, e ficou bem em baixo de onde estavamos, nos desafiando. Estavamos indefesos, nossas armas haviam ficado nas canoas, e por sorte não estavam na que quebrou, e tivemos que ficar por mais de tres horas, sem poder seguir viagem ou vistoriar as linhas, pois o poderoso Jacaré, ficava vez em quando, fazendo um enorme barulho que fazia a água tremer por cima de sua costa, subindo centenas de gotinhas, num bonito espetáculo, que só não admirei mais pelo perigo situação na hora.                                                                                                                                                        Não esqueci a cena de seuavanço e ao chegar em casa, fiz este desenho baseado neste fato real.

                                                          Ecy  Monte  Conrado 

                       Os animais selvagem reagem a invasão de seus territórios. Devemos respeita-los.

      

segunda-feira, 5 de março de 2012

Curiosidades sobre os antigos CURINAS

Até os anos 60, muitos costumes da antiga Cultura deste povo ainda era preservada por eles. Rituais, crenças, costumes domésticos, caça, pesca e até a culinária mudou muito deste tempo aos dias de hoje. Vou relatar um costume engraçadado que presenciei na aldeia do cacique Rubiu: cheguei ao porto da aldeia, em meio de uma manhã de início de verão. Tempo seco, dia ensolarado e muito ventilado. Notei que algo diferente estava acontecendo, pela maneira que as india andavam, quase correndo e todas se dirigindo a uma casa em especial. Depois que comprei carne de caça ainda fresca, perguntei ao meu amigo Rubiu o que estava acontecendo. Ele então no seu portugues enrolado disse que uma mulher jovem, estava desde o início da manhã  esperando a qualquer momento ganhar seu primeiro filho. Perguntei se precisava de algo que eu tivesse a bordo, ele falou que não, estava tudo bem. Depois que eu soube de quem se tratava, [eu conhecia ela e o marido] perguntei pelo seu companheiro, e Rubiu disse que eu poderia ir aonde ele estava, concordei, até para mostrar solidariedade. Era um dos jovens guerreiros da tribo e eu já havia caçado junto com ele, seu pai e meu amigo Rubiu. Deixei os empregados tomando conta do barco e subindo o barranco, fui conduzuido a uma casas que havia ao lado da que estava a grávida.Esperava encontrar o jovem aflito, preocupado,qual não foi minha surpresa ao vê-lo deitado em uma rede tecida de cipós, bem a vontade e sorrindo. Falei com ele e notando sua calma, não me contive e perguntei a Rubiu: porque ele está deitadao tão calmo?  ele brigou com a mulher? logo agora?  Foi com seu sorriso meio sem graça, que o velho cacique me disse: ele "tá " esperando mulher ganhar menino, e vai ficar deitado por tres dias ai sem poder sair da casa. Não perguntei mais, deixei que minha curiosidade esfriasse e resolvi esperar a criança nascer para esperar o que aconteceria . Comemos macacheira cozida[sem sal] dentro de uma panela na qual se mota tipo um girau com pequenos galhos e a raiz é cozida só no vapor.UMA DELÍCIA. Levi comigo uma latinha de manteiga com sal, e saboreei uma carne de queixada assada na brasa [na qual coloquei sal nos pedaços que eu comeria.]. A carne foi assada em uma grande fogueira que ardia bem perto da casa da gestante. O tempo passou e somente ao findar da tarde a moça ganhou um menino. Eu estava presente a toda movimentação, Ví uma mulher vir trazendo a jovem para perto da fogueira,onde tinham jogado mais lenha e o calor perto era muito forte, a jovem ficou de cocoras bem perto do fogo por uns quinze ou vinte minutos e então, em companhia de mais umas oito mulheres, saiu correndo para a beira de um igarapé que passava logo atrás das casas, e sem parar , jogou-se na água gelada do riacho.  Juro como pensei que ela iria morrer em seguida. O banho demorou uma meia hora e então elas sairam direto para o roçado de mandioca, onde a mulher que pariu, tinha que arrancar e trazer em um cesto de cipós, macacheira para ela e o marido comer. Fiquei perplexo. e sem me importar se seria correto, perguntei de Rubiu o porque desta atitude. Ele então satisfeito pelo nascimento de mais um menino [CURUMIM], me explicou que o homem ficaria deitado para mostrar solidariedade ao parto da mulher, e ela tinha feito, o choque térmico, para  espantar as doenças que poderiam vir, e a colheita de mandioca era para que os Espíritos fizessem de seu filho um homem trabalhador.   Nunca esqueci.

                                                         Ecy  Monte  Conrado

 Apesar de hoje os indios terem perdido muias referências de suas tradições, vale a pena visita-los.

FIGURAS ESPECIAIS III [o contador de historias]

O CONTADOR DE HISTORIAS.-----  Quando cheguei para trabalhar nos seringais de meu Pai, eu conhecia muito pouco ou nada do mundo que existia, fechado entre a imensidão da floresta.  Além de sua rica Fauna e Flora, tinham as pessoas que povoavam este mundo, simples e humanas, que descobriam maneiras sui-generis de criar coisas, e personagens que suprissem suas  necessidades fossem elas quais fossem.  Depois de um ano, já mais acostumado aos costumes e procurando aprender a cada dia, seu modo de vida, descobí a figura quase Mítica do Contador de Historias.  Personagem querido por todos, que ocupava um lugar de destaque no item, diversão e cultura de sua gente.  Geralmente era uma pessoa muito inteligente, não muito afeita ao trabalho pesado, [Ser seringueiro, agricultor, canoeiro.] e que ganhava a vida com facilidade, simplesmente sendo convidado pelas famílias a vir passar uma semana ou mais dias, contando historias.  Eram relatadas as antigas historias de contos de fadas, mescladas com anedotas bem simples ou "causos" inventados pelo mesmo, qua traziam pitadas de malícia com  humor e eram as preferidas pelos de simplórios ouvintes.Conheci no Eiru um que se chamava: Zé Luis. Usava um grosso bigode, era gorducho, branco tipo bonçhão, super simpático e esperto,pois trazia consigo sempre a mulher e uma filha que tambem se beneficiavam de suas habilidades em contar historias.  Era sempre convidado, e muitas vezes tinha que se desdobrar em muitos,tal era a quantida de convites simultaneos existentes. Chegava na casa , trazendo sua bagagem, e família. Se a casa fosse grande, ocupava na sala um lugar para atar seus mosqueteiros na hora de dormir, e o dia, passava andando pelo quintal ou se refugiando na casa de farinha onde sempre tirava boas sonecas. Sua mulher e filha, ajudavam [um pouco] nas labutas da casa e isto era o bastante pois o importante mesmo eram as noitadas, quando todos se asentavam no assoalho de Paxiuba, em volta do importante narrdor e ele começava a desfiar um monte de historias e piadas. As risadas eram altas e espontâneas, eram pessoas simples e ingênuas, sem nenhuma opção de diversão, que não só escutavam, bebiam as palavras, memorizavam os gestos, a mímica do interlocutor que conseguia quase hipinotizar a platéia.  Era antes de tudo um artista eclético,um mago, das palavras, que enriquecidas pelo seu gestual, ganhavam força e vida na mente dos presentes. Um dia assisti a perfórmance do Historiador, me impressionei pela maneira dinâmica em que desenvolvia sua historia, e me prendi atento aos olhos estáticos dos presentes que não perdiam, o menor gesto que fizesse, que chegavam a chorar se fosse um caso triste o narrado, e que minutos depois estavam as gargalhadas, se agora fosse uma anedota.  Fingiam saber falar Ingles e me diverti muito, quando um dia ví Zé Luis emitir sons guturais e inteligiveis dizendo para um seringueiro que estava falando uma historia em ingles. O homem, como não poderia ser diferente não entendeu nada, mas, Zé Luis, ganhou tres grandes melancias.  Fiquei imaginando, qual teria sido o futuro deste homem se  tivesse nascido, em um lugar desenvolvido, tivesse tido oportunidade de ESTUDAR, de se formar em uma boa faculdade.  A cada visita ele ganhava animais, e mercadorias que lhe abasteciam para um mes. Como sempre estava sendo solicitado, ele as vezes vendia na Cidade os animais que ganhava e com o dinheiro comprava roupas, remédios, calçados e sempre, uma garrafinha de Pinga, pois ninguem é de ferro. Entre aspessoas humildes da cidadezinha, tambem era conceituado e sempre convidado a contar suas historias.

                                                          Ecy   Monte   Conrado 


  A  Amazõnia é um mundo que ainda esconde muitas coisa a serem descobertas. Visite-nos!

domingo, 4 de março de 2012

Para relembrar...



 Era assim a casa de meus pais aqui em Eirunepé, onde vivi minha infancia e parte da minha adolescencia.  Era construida em madeira, e na frente existia este comodo que chamavamos "PUXADINHA", talvez porque puxou um pouco o espaço da casa para frente. Eirunepé tinha bem no meio da rua uma calçada de cimento de dois metros de largura, que era a pavimentação principal da cidade. Algumas casas faziam ligações com a calçada central, geralmente com outras de madeira. Os postes de iluminação pública eram colocados ao lado desta calçada, e a luz, era ligada as seis da tarde e as oito e meia, "piscava" para a visar que ainda teria meia hora de iluminação, tempo para "armar" os mosqueteiros, e se aprontar para dormir.  Não existiam carros nem motos. Um trator dos Padres, um velho caminhão da Prefeitura, eram os únicos veículos que circulavam. Onde hoje em dia é o Bar da Nelcy, onde acontece a bonita festa do URCUM, era a divisa de um  campo de gado do Padre, existia um grande porteira, e de lá em diante poucas casas.   Este desenho foi feito exclusivamente baseado na lembrança. Não disponho de um registro fotográfico, mas a memória é parte do Computador que DEUS nos deu. Ela existia exatamente onde agora é a casa do Sr. Erymar.

                                                              Ecy   Monte   Conrado  

As lembranças do passado, as fotos, os casos acontecidos, os costumes da época, fazem a historia de um povo. devem ser cultivadas e passadas de geração a geração.

sexta-feira, 2 de março de 2012

FIGURAS ESPECIAIS III

A [O] BENZEDEIRA--- Geralmente uma Sra. de idade avançada, que era o seu maior documento na identificação de uma boa profissional, ela era a Rezadeira, pessoa que sabia curar com rezas "MISTERIOSAS", as doenças que afligiam os moradores dos seringais, sobretudo crianças.  Eram tratadas com muito respeito por todos que, acreditavam na cura de suas enfermidades. Muitas vezes [até os anos 70, era difícil um seringueiro conseguir um motorzinho, e a locomoção era feita através de canoa com remo.] um chefe  de família remava um ou mais dias para chegar a casa da boa Sra.  A Fé, esta força mística que pode mover montanhas era o maior fator da cura que sempre acontecia. Os males, eram afugentados com uma reza balbuciada [ninguém entendia uma palavra] e um pequeno galho de arbusto chamado Vassourinha ou de outro conhecido como Arruda, que eram passados em cruz em cima da área afetada pelo mal, por muitas vezes. Alguns chás de plantas medicinais faziam o tratamento após a reza da cura. Alguns homens tambem exerciam esta profissão. a eles era atribuido o poder de curar animais a distancia. Certa vez eu presenciei, a reivindicação de um seringueiro que criava uns seis bois, e um deles estava com Bicheira, [uma ferida, causada pela larva de uma mosca que deposita seu ovo no animmal, e lá ele se desenvolve criando uma ferida que pode ficar grande e prejudicar o desenvolvimento do animal.] e o pequeno fazendeiro pediu a assistencia medicinal de um Curador. Estavamos no porto da casa do mesmo, e o pasto no qual estava a res doente estava a sete horas de viagem a motor, para minha surpresa, o homem foi a sua casa, voltou para o barco com um pequeno livro velho na mão, e uma faixa em volta do pescoço da qual pendia uma medalhinha de uma Santa. Ele perguntou ao dono do animal, suas caracteristicas, cor, tamanho, idade e, de posse destas informações, ficou de cócoras na beira do rio e, lendo algo de uma página do velho livro, passava no chão um galho de Arruda, em cruz e o lançava no rio, repetindo este ato por várias vezes, até dizer que o animal estava curado, e que seu dono fosse em paz.  Uma observação: nunca se deveria perguntar quanto custava a cura, nem oferecer dinheiro como pagamento do tratamento, pois isto magoaria o Rezador, e tiraria o efeito da cura.  No mes seguinte, reencontrei o dono do boi doente e ele disse-me que a cura havia sido um sucesso.  Coisas da Amazônia...  
                                                               Ecy  Monte  Conrado  
 O Folclore de um povo, deve ser preservado tanto quanto o mundo no qual vive o povo que o criou.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Um caçador oportuno


                   Nestes desenho, eu coloco o sol poente do verão do Eiru. As vezes, quando os animais começam a se recolher para dormir, é a hora em que o sol parece ter pressa para dormir e desce na linha do horizonte rapidamente. Várias são as espécies de aves que estão voltando para o local onde dormem. Algumas em silencio, outras em algazarra , e é nesta hora que este pequeno gavião que só ví no Eiru [por duas vezes em ação] aproveita para caçar alguma  ave destraida que venha atrasada no bando. O ví pegar um "CHICO PRETO", e ví tambem ele investir contra um Japinim, desta vez, sem sucesso. o que me chamou a atenção foi o horário, pois os gaviões não costumam serem vistos sequer voando neste horário.     é uma ave pequena, muito veloz, e seu aspecto é comum aos da sua espécie. Suas asas são finas e longas para seu tamanho. Não posso afirmar que seja um animal ainda não conhecido,mas por certo é raro aqui onde vivi tantos anos.
                                                            Ecy  Monte  Conrado
                     
                             É necessário conhecer para amar. Visite-nos, estamos em EIRUNEPÉ- AM.