Quando o verão é forte, nos meses mais secos, ao caminhar pela floresta a noite, parece que estamos pisando em Estrelas. São folhas em decomposição, que ficam cobertas por Fósforos, e brilham no escuro, ficam Fluorescentes, oferecendo aos nossos olhos um efeito especial muito bonito.
Você sabia que os Indios fazem seus arcos, de uma pequena palmeira chamada Ubim? todos pensam que usam outras madeiras que são usadas pelos pescadores brancos. esta palmeira ofereçe um arco leve e muito resistente.
Tambem no verão forte, quando as raizes das árvores ficam expostas sem a camada protetora de folhas molhadas e macias,o solado dos pés de alguns seringueiros ficava tão grosso que rachava e os impedia de andar.
Quando uma pessoa cria um Jacamim, e tiver em seu quintal, algumas Galinhas, deve obeservar que,quando a Galinha estiver com Pintinhos pequenos, o Jacamim, se for fêmea, tomará os pintos e cuidará deles tão bem quanto a Galinha. O único incoveniente é que, na hora de dormir ele os abandona, pois só dorme bem alto alojado em árvores frondosas. Se for um macho, ele não toma os pintos, mas de tudo que conseguir de comida irá dividir com as pequeninas aves. É um animal valente e não perde uma briga nem para um Galo nem tampouco para um Pato.
Por conta deste comportamento, nos seringais, se costuma chamar as pessoas que criam filhos de seus parceiros de JACAMINS.
Existe uma planta chamada OACA, quando os igarapés estão secos [com pouca água], os ribeirinhos coletam uma quantidade expressiva destas folhas, e fazem um buraco no chão, onde a terra for bem dura, e colocando-as dentro, acrescentam farinha de mandioca e amassam, socam esta mistura criando uma pasta, que será colocada dentro de uma lagarta grande [virada pelo lado do avesso], então ela é cortada em rodelas, que são atiradas n'água, em locais de remanso e logo surgirão peixes, principalmente Piaus, completamente aturdidos, e embriagados, que são facilmente capturados pelos pescadores. O efeito da droga é curta e em questão de dez minutos, acaba.
Ecy Monte Conrado
Descubra mistérios da Amazônia, VISITE-NOS!!!
sábado, 31 de março de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
O entardecer em dia de chuva, na minha casa,
Tenho em meu quintal, uma árvore de Cedro Rosa,[estes galhos que aparecem na foto.] espécime já raro nos dias de hoje, ele serve de pouso para vários pássaros que ficam de lá observando ao redor. estas duas aves que aparecem aí,são da espécie de nossa Curica Ket, e elas vem para "bater um papo" vez por outra. Sempre que se vê nuvens de chuva e, quando a chuva cai, a Ket, começa a conversar, misturando palavras que aprendeu, sem ter uma ordem nas pronuncias. São ditas altas e rápidas, pois ela fica feliz e raras são as chuvas que ela não aproveita para tomar um banho, sempre bem sonoro. Achei bonito este perfil, esta silhueta que se destacava contra o cinza do quase anoitecer e registrei. Sempre colocamos pedaços de banana, pão embebido em leite, mas elas não comem; já anossa civilizada Ket, gosta muito de pão molhado em café com leite. As vezes Ket vai até elas, mas, quando começa a dizer palavras humanas elas a olham assustadas e saem voando aos gritos caracteristicos de sua raça..
Ecy Monte Conrado
Os animais, tem uma percepção muito apurada de quem está perto deles.Ficamos orgulhosos em vê-los como açeitam a minha esposa e eu. Colocamos sempre bananas em nossa varanda e os Sanha-Açu ficam disputando o direito de ver quem come mais. Ficamos bem perto olhando e eles não fogem. Os pequeninos que comem sementes de capim, tambem aceitam nossa aproximação razoavel. Somos felizes por isso.
As crianças na aldeia, KULINA [Curina].
Não sei se hoje em dia mudou a maneira que os adultos indios tratam as suas crianças. No tempo que convivi com eles, era um relacionamento de ampla liberdade para os pequenos, que faziam o que queriam, sem reprimendas por parte de ninguém. Muitas vezes, eu via preocupado um indiozinho com uma faca cortando um pedaço de pau, ou brincando com outros utensílios que podiam feri-los, e bem perto, estavam adultos que simplesmente olhavam e não faziam nada. Aquele cuidado, as vezes até exagerado dos "brancos", melhor dizer ; dos não indios, não existia entre eles. Nunca vi um homem ou mulher, bater em uma criança na aldeia. Na verdade, existiam regras entre eles,mas eram assimiladas e executadas de maneira tão sutil que fugia a nossa percepção de "civilizados". Brincavam como todas as crianças do mundo brincam. Corriam,gritavam, choravam, nadavam [aprendem muito cedo a nadar, pois é uma necessidade de sobrevivencia na selva] tinham suas flecahs e arcos pequenos e exercitavam caçando passarinhos, calangos e outros animais pequenos. Os indios tem [tinham] uma maneira muito especial de viver, e as coisas mais simples, eram motivo de alegria e diversão para a tribo toda. Eles costumavam pescar Puraqués, os peixes elétricos da Amazônia, mas sempre que conseguiam capturar um deles, faziam o possivel para chegar com ele vivo na aldeia, e então colocavam-no bem no centro do grande pátio, e o cobriam com caroços de farinha de mandioca, traziam galinhas, e as soltavam perto do peixe e, quando as esfomeadas aves bicavam o seu corpo revestido de grãos, levavam choques e pulavam apavoradas. Creiam; isto divertia a tribo inteira que comparecia para ver o espetáculo. O Poraqué, é um peixe que tem um sistema de respiração especial e pode permanecer vivo fora d'água por muitas horas. Os indios tem facilidade de domesticar animais selvagem, e é comum vê-los quando vem de caçadas, sendo seguidos por filhotes cujas mães foram abatidas. Os pequenos animais vem soltos e os seguem, como se isto sempre tivesse sido assim.
Ecy Monte Conrado
A Cultura de cada povo merece ser estudada e respeitada. Cada uma tem seu trajeto de conduta que valoriza seu povo, embora sejam muitas vezes diferentes do que achamos certo, no nosso conceito.
Ecy Monte Conrado
A Cultura de cada povo merece ser estudada e respeitada. Cada uma tem seu trajeto de conduta que valoriza seu povo, embora sejam muitas vezes diferentes do que achamos certo, no nosso conceito.
quarta-feira, 28 de março de 2012
A beleza da Liberdade.
Já postei este desenho antes, mas um fato ocorrido hoje aqui no quintal de minha casa, me fez trazê-lo de volta para ilustrar o que vou contar. Saí com minha mulher para fazer umas compras, eram dez horas da manhã, e o sol [apesar deste periodo de chuvas], estava brilhando. Demoramos cerca de uma hora, e quando chegamos fomos olhar algo que se debatia embaixo de uma Ingazeira próximo a casa. Era um pequeno Curió, que lutava para se livrar do ataque de centenas de formigas Vermelhas, uma espécie muito agressiva e carnívora que hoje em dia infesta a cidade de Eirunepé, e que a população chama: Formigas do Envira, por ter sido de lá que elas vieram nas canoas transportadoras de mercadorias. Com um graveto, mexi com o passarinho e logo depois, mesmo sendo ferroado por várias formigas, junto com minha mulher consegui livrar o agonizante animalzinho. Então descobrimos que sua pele fininha havia sido arrancada na parte do peito logo abaixo da asa, e no esforço que fez para se livrar de um galho coberto por "Visgo", uma cola doméstica que é feita de resina e cola industrial. São armadilhas que colocam aonde, estão os animaizinhos e então os espantam para que algum pouse no galho melado e fique preso. Com o esforço para se libertar, acontece casos como este de ficar no galho um bom pedaço de pele com penas do bichinho, e então as vorazes formigas atacam e em pouco tempo matam a vítima e a devoram. Tambem usam gaiolas com passarinhos dentro que , são colocados perto do bando como isca. Na sua grade tem o "visgo" e quando um passarinho ouve o canto do que está preso, acha que é um desafio de outro por território, e se aproxima para brigar, então fica preso e o dono da gaiola de imediato corre para captura-lo. A ação criminosa deste ato, é vista por muitos com uma total indiferença, e isto serve de amparo a continuidade isenta de qualquer punição por parte das autoridades .Vejo quando bem cedo nas manhãs, os Curiós, Sabias, Sanha açu e Bem-te-vis, cantam e alimentam os filhotes. A Natureza se quieda muda para ouvi-los, e a harmonia de suas sonoridades, cria um clima de paz no espirito das pessoas de bem. O passarinho que resgatamos das formigas, não sobreviveu. Tinha sido atacado por muitas. Sua ferroada doi muito, tem um poder muito forte de toxina e ele não resistiu mais que uma hora. Então, em sua homenagem. estou retornando este quadro, para mostrar que o belo ainda tem admiradores. Muitos são os caçadores de passarinhos que não gostam de mim porque eu não permito que coloquem suas armadilhas em minha cerca. Em meu quintal, tem um trecho que conservo o capim alto, pois produz um tipo de semente diminuta, que eles comem.Formam-se bandos imensos, que pelo menos aqui dentro, estão seguros e em paz. No meu desenho, o cuidado de pais com seus filhotes.
Ecy Monte Conrado
Se cada ser humano, parasse um pouco para ver um passarinho voando, construindo um ninho, e ouvisse com atenção o seu canto livre, não existiriam gailoas, nem armadilhas fatais para eles.
terça-feira, 27 de março de 2012
Mais assunto sobre os Curinas, {KULINAS???}
Falar destes amigos é sempre gratificante.Passei bons momentos na aldeia que existia no Eiru, caçava com eles,pescava, aprendi muito sobre a floresta e seus mistérios. Certa feita estavamos em oito, pescando Matrinchãs no igarapé do Paxiuba, quando a gripe que me castigava provocou uma tremenda dor de cabeça. O nosso barco estava ha mais de quatro horas de caminhada na selva, e eu já havia matado dois porcos e alguns macacos, e eles tambem tinham abatido dois porcos, era impossivel apressar a marcha, eu estava com problemas. Rubiu, o velho cacique, meu amigo sincero, olhou-me e perguntou: Nerrecutui? Tiá Cumatanim? [Que vc. tem? está doente?] falei da tremenda dor de cabeça e ele disse: Nizá! [espere], saiu para fora da trilha e logo voltou com umas folhas que esmagva nas mãos. Em um pequeno igarapé, colocou um pouco,de água formando uma pasta e, passou na minha testa, e na nuca. Nunca ví tão rápido efeito em um medicamento. Como em um passe de mágica, em mais uns quinze minutos eu parecia nunca haver sentido dor na cabeça. Os indios fazem uso de uma bebida de efeito alucinógeno, que os seringueiros chamam Cipó. É uma bebida amarela, de gosto amargo e ruim, feito da mistura de determinada folha com um cipó. Os seringueiros consumiam e diziam que tudo que você imaginasse antes de tomar, veria. Falavam que viam grandes cidades e outras coisas.Com o progresso,o avanço da civilização, e a densidade demográfica em expansão, os indios foram aos poucos se integrando na "civilização", e seus costumes conhecidos por pessoas que vinham em visita. Assim foi que um grupo de artistas descobriu a bebida e sabendo de seu potencial, que se assemelhava ao efeito de uma droga comum, pensaram em usar em grande escala e, surgiram entidades e organizações,apregoando e lutando por uma legalizaçao para seu uso, usando como motivo, o fato de ser de uma cultura indígena. Muitas coisas aconteceram e esta bebida, tinha na sua essencia, na sua origem, um significado muito maior que simplesmente ser transformada em fonte de dinheiro. Era algo mais elevado, eram os deuses da Floresta que tinham deixadao aos homens como um passaporte para uma forma mais evoluida de pensar, então um seringueiro, um simples seringueiro desponta como um mensageiro superior e cria um culto de apologia ao Bem, a Paz e ao Amor. Surgia a nova religião, depois foi avaliado, cultuado e hoje, é tratada como uma religião séria, que usa em este chá, feito de uma maneira responsável e higiênica, proporcionando a seus seguidores, não um transe de droga, mas sim um caminho para encontrar o próprio ego, trazendo um conhecimento interior que faz com que a pessoa evolua espiritualmente; é a religião denominada União do Vegetal. Os efeito quimicos da bebida são usados para permitir um relaxamento e auto análise de seus discípulos. Não sei muito sobre eles, mas acho que esta realmente é a função mais nobre que já vi,para o uso da bebida.
Ecy Monte Conrado
O mundo que nos cerca, a Floresta, os Animais terrestres e Peixes, são parte de um patrimonio do qual todos somos donos e responsáveis.Vamos preservar, vamos zelar para que nossos filhos e netos, possam passar a seus filhos este presente maior.
Ecy Monte Conrado
O mundo que nos cerca, a Floresta, os Animais terrestres e Peixes, são parte de um patrimonio do qual todos somos donos e responsáveis.Vamos preservar, vamos zelar para que nossos filhos e netos, possam passar a seus filhos este presente maior.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Alimentação dos antigos Curinas.
Quando conheci a tribo Curina, seus costumes ainda guardavam muito de sua tradição. Seus rituais, suas crenças, e seu modo de viver que tinha uma maneira própria de agir até mesmo com a alimentação. Ao invés de serem alcoolatras, eles consumiam a Caiçuma, uma bebida fermentada feita de Mandioca e de uma maneira onde a Higiene era a última coisa a ser exigida, posto que para fazê-la, as índias punham na boca pedaços de macacheira e depois de mastiga-los por um tempo, os cuspiam dentro de uma vasilha, para acrescentar água, e este processo é que causava a fermentação. A bebida ficava em dormencia por dois dias e só então era consumida nas festas da tribo. Tinha um teor alcólico baixo, mas era o suficiente para animar. Eles bebiam cachaça, mas no nosso seringal, quase não tinha, porque não levávamos, e somente quando seringueiros vinham a cidade levavam um pouco e dificilmente queriam dividir com indios. A comida, era na maioria assada nas brasas, e eles cozinhavam macacheira em panelas comuns, mas faziam nelas,com gravetos verdes uma espécie de Trempe[Girau] onde colocavam os pedaços[ uns cinco centimetros acima do nível da água,] e então era cozida no vapor, sem uma grama de sal. Mesmo assim, com um pouquinho de manteiga Aviação, era uma delícia. Quando o inverno se anunciava e as primeiras chuvas chegavam, se criava uma super população de um tipo de Rãs na floresta, e muitas vezes vi, quase a tribo inteira sair para a mata com paneiros de malha bem pequena, e capturar dezenas destes animais, que eram consumidos as vezes quase vivos, pois os jogavam dentro de uma vasilha grande com água fervendo e logo os retiravam, só então, eram abertos e as víceras extraidas. A captura em sí já era motivo de festas, pois era engraçado ver os tombos e piruetas que tinhm que fazer para ter exito.Devo confessar que eu tinha dificuldades em ver estas degustações. Muitas vezes, dava para ouvir as Rãs pulando dentro da panela. Vi tambem eles partirem um jacaré em postas [sem retirar o couro] e pegando os pedaços, os encostarem em uma labareda de uma fogueira, e comer. Certa vez, vi um índia idosa agarrada na pata de um Jacaré Tinga que ela encostava na fogueira e quando mordia, os dedos do animal se contraiam. Foi uma luta para a velha senhora conseguir mastigar e engolir aquele naco de carne crua. Popunha, esta fruta deliciosa da nossa região, eles jamais colocam sal no seu cozimento, mas sabem como ninguém quais as que são boas. Sem fiapo, macias e oleosas. Consomem tambem muitas outras frutas da selva e conhecem a localização de cada árvore quando produzindo. Muitas vezes o cheiro despreendido pelas mesmas é que os guiam. Assam peixe com muita habilidade, mas não os "tratam", e apesar de todas as espinhas, é com naturalidade que as crianças comem com farinha seca. Hoje os costumes já são outros, na verdade eu os preferia assim como eram; autenticos, sem vícios dos "brancos", e com uma Cultura a cultuar. Rinam Ripanam...[vamos comer!]
Ecy Monte Conrado
Cada ação desenvolvida em pról da preservação da Natureza, não é mais que um pequeno tributo que devemos a nós mesmos.
Ecy Monte Conrado
Cada ação desenvolvida em pról da preservação da Natureza, não é mais que um pequeno tributo que devemos a nós mesmos.
sábado, 24 de março de 2012
Agrande Onça prenhe II
Na continuidade de meu relato, devo dizer que ouví os miados e ruídos para dentro do ôco e, meu compadre insistia em pedir nossa rápida retirada, até porque, a Onça agora com filhotes, estaria muito mais agressiva e valente. Isto teria sido o sensato a fazer, mas, era algo diferente, e apesar da minha inexperiencia em caçadas, eu sentia que aquela Onça não ofereceria perigo, eu acreditava que ela, sabia qua não éramos inimigos, e pedi para aproximar a canoa e muito lentamente arisquei uma olhada, para dentro do tronco, por uma parte que havia sido arrancada da velha árvore, e bem devagar olhei para dentro. Esta cena que aqui está retratada, este olhar, profundo, de entendimento foi meu presente nesta viagem. Sei que os felinos tem o hábito de olhar assim por cima do dorso, mas era a expressão, era o momento mágico para mim, pelo menos, que me fez feliz e nunca esquecer, este dia. Ela não fez um ruido sequer. Simplesmente me deu este olhar e voltou a lamber um dos filhotes como quem diz pronto: já teve seu momento de glória, agora desapareça, deixe-me em paz. Foi o que fiz, mas aquele encontro está até hoje indelével em minha memória de caboclo. Hoje já não sou mais um predador, troquei a mira do rifle, pela lente de uma Câmera, ou usar minha capacidade de memorizar e transferir para o papel com uma pena de Nankin na mão, os animais e as cenas que vejo.. Animais sejam eles, selvagens ou domésticos, tem poses características, e com uma apurada observação, podemos capturar um momento, para fixar no desenho. Espero que tenham gostado, e se, entre os participantes de meu Blog, estiver algum Biólogo,entre em contato comigo, ajude-me a entender este fato, esta situação que desde o início até o curto fim, foi e continua sendo um mistério sem explicação para mim.
Ecy Monte Conrado
Podemos amar e acreditar em coisas que não entendemos. São momentos que superam a lógica e nos deixam uma oportunidade de pensar na Criação, e na existência de um ser superior que cahmamos:DEUS.
sexta-feira, 23 de março de 2012
A historia da Onça prenhe. l
Esta historia poderá até parecer fantasiosa, ou mesmo impossivel de acreditar, em se tratando do animal mais feroz, e top de linha dos predadores das Américas, mas aconteceu. Era o ano de 1968, estavamos no mes de Maio, o rio Eiru ainda permitia viagens para o alto em canoas de duas toneladas, até um certo ponto. Tinhamos ido, meu irmão, cinco trabalhadores nossos, para a casa de um seringueiro chamado Antonio Bastos, homem trabalhador que residia na foz de um grande Igarapé no alto Eiru chamado Ciparu. Morava com a esposa e os filhos nesta colocação, e só no inverno levava a borracha em balsas para o barracão. Este ano nos pediu que levassemos nossos trabalhadores para ajudar a desfazer dois grandes roçados de mandioca que corriam o risco de estragar caso não fosse feito de imediato a farinha. Fizemos a "quinzena" nossa viagem de atendimento regular e nos aprontamos para subir o rio para ajudar o nosso bom seringueiro, inclusive comprando dele o excedente de seu consumo. Gastamos quatro dias subindo o rio com tres canoas. Lá chegando, me encantei com a grande quantidade de animais que se encontrava a cada instante. era bem no alto deste lindo rio, e ele era o último seringueiro, poia apesar de ter muitas seringueiras, era muito difícil chegar ao Barracão e depois retornar. Jovem, inquieto e atirando muito bem ,no outro dia cedo, em companhia de meu amigo e compadre Antonio,pedi para ir caçar e saimos de canoa para ir a um Barreiro que ficava a uma hora de viagem, usando remos, para não afugentar as caças. Jacus, Mutuns, e outras caças pequenas atravessavam frente a nossa canoa e eu era dessistimulado de atirar pelo experiente e velho caçador. Conosco ia um filho seu de dez anos, para ajudar com os remos. Andamos mais oa menos uma hora quando em uma volta do rio, descobrimos bem na nossa frente, em uma ponta de barranco, bem em frente a um grande troco ôco, uma bela e enorme Onça Pintada. Ela estava com uma barriga enorme, e mal nos olhou quando a canoa, parou a quatro metros dela. Medo foi nossa reação imediata, Meu compadre colocou um cartucho em sua espingarda e tentou apontar mas, pasmem : eu, predador, jovem, e inexperiente, tendo a possibilidade de matar uma Onça, troféu cobiçado por todos os caboclos, coisa rara mesmo nestes lugares pois ela é um animal esquivo, por impulso, nem atirei, nem deixei que meu amigo atirasse. Foi uma espécie de hipnose. Ela não se mexia, estava estática fitando o rio, e somente mudava a posição das pernas sem nos dar atenção. Meu compadre susurrando, pedia que saíssemos, mas algo me retinha, e até hoje não sei explicar. Ficamos parados por mais de quarenta minutos.Meu parceiro de caça, me olhava como se eu fosse um extra-terrestre, ou um maluco mesmo, e eu sei que só ficava quieto por eu ser seu patrão, mas ficamos lá, até que ela nos olhou, deu uma volta sobre si mesma e entrou no grande ôco de Cumaru. Minutos depois, ouvi gemidos, e logo um rosnar baixinho, e fracos miados parecidos com o que os gatos domésticos produzem quando novinhos. Aguardem a segunda parte desta postagem amanhã.
Ecy Monte Conrado
Viver, é a melhor maneira de aprender. Use bem seu apredizado.
terça-feira, 20 de março de 2012
A lenda do Bate-Bate
Quando cheguei para trabalhar no seringal, era um moço idealista, da Esquerda, e a Cultura que encontrei entre os seringueiros, falava de monstros mitológicos, Espíritos das Selvas, e outras entidades que eram invisíveis, mas que tinham uma atuação bem destacada no imaginário do povo. Assim ouvi falar sobre o Bate-Bate, um espírito que batia nos igarapés, geralmente a noite, mas que bem podia aparecer de dia, e ao invés de ser um ser material, era apenas um ruido como se fosse um gemido de dor seguido de uma forte pancada, que parecia o estalar de um chicote. Contavam que, se ouvisse este barulho no igarapé e, você chama-se: Bate-Bate, venha bater aqui, logo bem perto seria ouvido o estalo, e se insistisse pedindo novamente que viesse bater, você seria atingido por uma grande pancada que poderia até matar uma pessoa. Ninguem que duvidasse destes relatos, pois, no alto Eiru em um igarapé de nome Paxiuba, morava um nordestino brabo [valente] e que um dia ouviu perto de sua casa lá prás bandas do igarapé, o ruido de um Bate-Bate. Contam que, para mostrar valentia, desafiou o estranho ser a vir bater perto dele, e logo se ouviu uma pancada no porto da casa, seus filhos e mulher ficaram com medo e pediram que ele deixasse para lá o tal espiríto, mas ele não era homem de correr de uma briga e foi dentro da casa apanhou sua espingarda nova, colocou um cartucho e sentou na beira da paxiuba e tornou a desafiar. Logo ao seu lado se ouviu um estranho gemido e uma pancada tão forte que o seringueiro caiu morto. Contam este caso jurando por tudo como foi verdade. Dr. Roy Dearmore, um médico americano que prestou serviços de medicina em Eirunepé,[trabalhava para uma ONG chamada ASAS DO SOCORRO] tornou-se um grande amigo e chegou a ir com sua família passar vinte dias em uma casa que eu tinha no seringal Sta. Maria onde tinhamos uma fazenda de gado, e lá, ouvindo este relato com descrição minuciosa, que tinha acontecidoha poucos meses, ele acreditou que o seringueiro possa ter sido vitimado por um ataque fulminante de coração e por conta deste fato, uma morte súbita. O certo é que depois pesquisando nos igarapés [passamos duas semanas] eu descobri que, o que provocava os estalos era a cauda de um tipo de jacaré que só existe nos igarapés. Tem semelhança com o Tinga, e seria uma réplica fiel em menor escala, não fosse duas saliencias que tem sobre os olhos. Ele usa a cauda para bater na água e atordoar pequenos peixes que ficam fáceis de serem capturados. Falei de minha descoberta...em vão. Ninguém acreditou em minha estoria e assim até hoje nas sombras das noites, nos igarapés centrais se pode ouvir um gemido e a pancada do Bate-Bate.
Ecy Monte Conrado
Lendas, mitos, "causos", fazem parte da Cultura de um povo.
Ecy Monte Conrado
Lendas, mitos, "causos", fazem parte da Cultura de um povo.
domingo, 18 de março de 2012
Os atentos Veados.
Dentre os animais da Amazônia, os veados estão entre os mais belos e mais ariscos. Por sua carne clara e bem saborosa, estes animais são alvo de perigp constatantes quer pro parte dos humanos quanto das Onças que nunca desperdiçam uma chance de ataca-los. Temos duas espécies bem distintas: um grande de coloração marrom alaranjado, cujos machos possuem chifres, conhecido como: Veado Capoeira, e um bem menor, de cor cinza escuro no dorso e vai clarendo ao se aproximar da barriga, quase sempre sem chifres, que chamamos; Veado Roxo. É bom esclarecer que os seringueiros rotulam de "roxo" quase todas as cores que não sabem definir. De carne tambem muito saborosa, este Veado é protegido de alguns caçadores pelo fato de ser considerado "Reimoso", ou seja sua carne é perigosa para ser consumida por quem tem qualquer problema de saúde seja ele qual for. Tem a metade do tamanho do Capoeira, e posso assegurar que é ainda mais arredio que seu primo. Uma coisa que todos que moram e andam nas matas podem afirmar é que: sempre que você consegue ver um veado, ele já está olhando para você ha bom tempo. Nos tempos antigos, ha anos passados eu tambem era um caçador, embora sem muito destaque, pois nunca caçei para vender carne. foi em uma destas excursões na selva, caçando com um amigo meu Aguiarzinho, ,cacique de uma tribo Curina do rio Tarauacá,que tinha vindo com sua tribo passar um mes na tribo do Eiru., que passei a admirar mais, estes belos animais. Na selva, sempre nas margens de corregos ou igarapés Grandes, existem locais onde os animais de quase todas as espécies vem comer o barro, ou chupar a lama que se forma alí. São locais grandes que se tornam poços de lama, Lugares onde sempre estão os predadores a espreita de vítimas que mesmo sabendo do perigo, são impelidos pela necessidade fisiológica a buscar este complemento alimentar que creio eu, ser cheio de nutrientes. É uma lama escura, não tem mal cheiro, e tem gosto de sal. alí os mais variados tipos de animal vem comer; Arara, Papagaios, Jacus, Pombos Selvagem, [aqui conhecidos comoGalegas ou Juritis grandes] macacos Guariba, Quandús, [parente do porco espinho} e os mamíferos maiores tais como :Antas, Veados, Queixadas, Porquinhos e outros. Local propircio a caça, Onças sobem nos galhos bem acima das trilhas de chegada, e de lá se projetam no lombo de animais que dificilmente escapam do ataque. Lá tambem se postam os humanos. Geralmente a maior quantidade de animais chegam na calada da noite, e então ainda cedo do dia, os caçadores chegam e sobem nas árvores onde montam um pequeno girau com galhos, ou atam uma rede pequena, onde passam a noite a espera dos frequentadores do Barreiro, como é conhecido este local. Antes de subir para os galhos , o caçador precisa esfregar folhas no corpo para não deixar uma trilha de cheiro, que seria identificada e afugentaria os animais.Leva com ele, uma lata vazia geralmente onde tinha leite em pó, e com ela, faz um depósito para urinar ou cuspir, pois não pode deixar estes resíduos chegar ao chão, e então, é ter calma, paciencia, cuidado para não cair da tocaia e atirar no momento certo, com a ajuda de uma boa lanterna. Lá em cima, nas noites de verão, frias, sem chuva de um céu bonito e ornado por milhões de estrelas, chegam uns minúsculos insetos chamados Catuquins, que adentram os cabelos des pessoas e causam uma tremenda coceira, quase insuportável. O cheiro de fumo de tabaco, pode afugenta-los mas, naquela situação nem se pode lembrar que tabaco existe, e então é ter muita paciencia e envolver a cabeça em uma touca improvisada com qualquer pano. No dia desta caçada que mencionei no princípio de minha narrativa, eu estava acomodado em uma tocaia destas, quando o parceiro que estava próximo fez um sinal mostrando algo. Era o fim da tarde, mas se podia ver bem, e quando olhei para o local indicado, ví um enorme Veado Capoeira que se aproximava do local. Gostaria de ter tido naquela ocasião uma filmadora para registrar a cautela, o extremo cuidado que aquele animal tinha para se locomover. Pé ante pé, mas de uma maneira que você nem percebia que ele se movia,apenas suas orelhas eram como se fossem telas de radares, buscando em movimentos, qualquer sinal de perigo. Aquilo me hipinotizou, pela beleza plástica da cena, e não mexi um dedo para interromper aquele ritual. Eu já havia visto Porcos, Antas, chegaraem aos Barreiros e eles simplesmente vinham e logo pulavam dentro do buraco e começavam a sugar lama e fazer barulho quando levantavam a pata de dentro da lama. Fiz sinal aos índios que não atirassem e para não permitir a tentação de predadores, fiz um disparo a toa para cima permitindo ao grande Veado uma fuga cinematográfica. Aos índios expliquei que tinha cido acidental, mas o velho e experiente Cacique, horas depois disse a mim: você mandou ele embora. Tucurimé, o Deus maior, estava com você.
Ecy Monte Conrado
Só se defende bem, o que amamos e conhecemos. Visite-nos, proteja a Amazônia.
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