quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

FARINHA DE MANDIOCA A BASE ALIMENTAR DA REGIÃO.



FARINHA DE MANDIOCA HERANÇA NORDESTINA. 



   Como se sabe, ao longo do Planeta, as regiões tem suas características Geográficas, Climáticas, Culturais, seus povos com seus costumes e religiões, fazem a mais autentica mistura de diferenças. Aqui no Brasil, país de tamanho continental, temos uma grande diversidade de etnias, que se mesclaram e fizeram este maravilhoso, alegre e  acolhedor Brasileiro.  Norte a Sul deste Pais, é inegável a força dos Nordestinos, que além de praticamente construirem a maior cidade não só do Brasil ,mas de toda a América do Sul, São Paulo, foram o sustentáculo, da produção de Borracha, que deu ao mundo o avanço da Indústria ante, e pós segunda guerra mundial.  Fugindo como sempre e naquela época com muito mais razão, da seca que sempre assolou a região,foram eles que além das secas enfrentavam as mazelas de viverem sob a chibata tão inclemente quanto o sol do sertão, dos capatazes dos latifundiários e cruéis  fazendeiros que compravam do Governo corrupto, as patentes pomposas de "Coronéis".    Como se fosse coisas do destino, o pobre Nordestino sempre viajante dos "Pau de Arara"pequenos e velhos caminhões que os levava na busca de seus sonhos de prosperidade rumo ao Sul, trocou a  velha e carcomida caçamba dos caminhões pelo resfolegar do vapor das caldeiras dos grandes navios da época e  veio enfrentar  uma região da qual só passou a conhecer através dos convidativos e atraentes cartazes que os estimulava para vir explorar e enriquecer, sangrando árvores de Seringueira, o "Ouro Branco" do novo El-Dorado, a Amazônia. Eles vieram muitos, quase sempre deixando a família, na esperança de rapidamente ganhar dinheiro e voltar. não sabiam o que os esperava...eram tangidos pela bandeira da Esperança. Ao adentrarem no Rio Amazonas, não podiam acreditar no que viam: água ! Potável, doce, limpa e imensamente abundante.  Era como se estivessem descobrindo a  fonte de águas cristalinas que serviam aos Deuses do Olimpo Grego.  Para quem acostumado estava a andar, trilhar por quilômetros os leitos secos dos escassos e secos Rios do Sertão Nordestino em busca de gotas de água, aquela visão se assemelhava ao Céu, aonde  residiam os Santos e o "Padim Padre Cícero", tão queridos e amados.   A realidade de trabalho bem mais dura, os levou a enfrentar, a floresta quase impenetrável, os milhões de inseto que os fustigava, as feras da selva, os índios que não conheciam armas de fogo, mas andavam nas matas como se estivessem nas mais sinalizadas ruas, que conheciam os animais e seus costumes,[ plantas que combatiam as doenças tropicais que tantos  contraíram e morreram por falta de medicamentos adequados] e que tinham flechas cortantes e de pontas envenenadas. Como se não  bastasse tudo isso a atmosfera úmida,  que ensopava as roupas , as chuvas torrenciais, e mais duradouras que as Monções da Índia, os "invernos" que traziam água em demasia que alagava a selva, que fazia os rios transbordarem,,,Tanta diferença.  Mas heroicos  e bravos, eles ficaram.  Vieram, viram e venceram, empurrando o mato e povoando esta terra até então de ninguém.  Cheios de crenças religiosas, de linguajar engraçado, de costumes alimentares forjados aonde alimentos eram escassos, eles encontraram fartura de peixes, de carne de animais silvestre e produziram a Farinha de Mandioca, sem a qual qualquer prato se torna, sem atrativos a degustação.  Foi assim que chegou aqui a farinha de Mandioca, que até hoje é a base alimentar de todos os Nortistas.  A mandioca conhecida em todo o País, aqui no Norte tem uma grande variedade de espécies, sendo que algumas apenas servem para produzir Farinha, por terem alto teor tóxico, que apenas o calor do forno no qual é torrada, anula.  A estas espécies, chamamos "Braba". as que são comestíveis assadas, ou cozidas, servem para complementar pratos feitos com carne, se cozido, e peixe se for servido assado, tanto o peixe quanto a raiz.  Passei muitos anos de minha vida, trabalhando nos seringais de meu pai, sempre participei das atividades sociais e de trabalho . Sempre vi, as pessoas comerem, quase sempre com água e sal. Um panelão, muita água, pedaços de peixe ou carne, e uma grande quantidade de Farinha de Mandioca, que misturada ao Caldo da comida faz o Pirão.  Até hoje, mesmo tendo perdido o poder aquisitivo da Borracha, e a grande maioria ter migrado para as pequenas cidades, permanece a preferência  pela Farinha.  Gosto  dos Nordestinos, sou descendente deles, tenho  muito de seus costumes, de sua fala, de seus mitos. Se não os cultuo, porém os estudo e aprecio. Graças a estes bravos irmãos, somos hoje donos das terras que formaram o vizinho e valente Acre. Foram eles, analfabetos, baixos, alguns raquíticos, porém todos bravos, aguerridos e valentes, que tiraram daquelas terras os Bolivianos. Comendo Farinha, quando não tinham um cozido, era e é consumida sem nada que não seja um pouco de água e sal ou açúcar mascavo, aqui chamado: Gramichó.  Farei uma segunda postagem, e nela mostrarei aos que me visitam, como se produz a Farinha de Mandioca aqui na região.

A destruição da floresta continua.

Chega o Ano de 2014, com ele deveriam chegar, o progresso, tão  apregoado pelas autoridades Governamentais, também a consciência de que somos responsáveis não só pelo dinheiro que queremos ter no bolso, mas de que não estamos sós no planeta. Programas de incentivo a preservação, com cursos nas Comunidades, talvez  despertassem a verdade que não é reconhecida pelos habitantes, no zelo pelo meio ambiente.  Vemos tantos escândalos de furto de dinheiro, ou de uso inadequado, de gastos em favor próprio de governantes quer sejam altos cargos ou simples Vereadores de pequenas Cidades onde os Governantes abusam nos gastos com carrões ,Jet skys  lanchas bonitas, Fazendas de gado e o dinheiro some sem que nada se faça para punir os culpados. Porque não trazer de volta este dinheiro? Com ele MUITO se  faria pelo povo , pelo meio ambiente e pela natureza. Continuo mesmo sem apoio denunciando o  descaso que se faz com a Floresta Amazônica e seus habitantes nativos: árvores e animais. Surgem vez por outra, noticiários bonitos sobre ações que estão em curso para  preservação, mas eu pergunto: como  fazer para entrar  em contato com estas ONGS, ou outras Repartições? como fazer ouvir a simples voz de um ex- seringalista que ama o lugar onde vive, ama sua terra e gostaria de poder mostra-la aos futuros Brasileiro, Estrangeiros para que, com certeza com outro modo de olhar a vida realizassem estudos, da nosso Floresta, e  quem sabe encontrem verdadeiras joias, da Biologia para beneficiar o FUTURO da humanidade.      Estas  pausas que ocorrem em meu Blog na realidade  me são impostas pela deficiente atuação da Internet de minha pequena Cidade. As vezes chego a passar  mais de  vinte dias sem poder acessar meu Blog e com esta forçada inércia, perco o pique do que eu estava projetando apresentar.  Coisas da  Região...   Hoje no UOL, li que estão reclamando da Internet de Manaus , gostaria que conhecessem a nossa.  Constatei  que mesmo denunciando uma verdadeira  Barbárie de derruba de árvores de  Massaranduba bem aqui em terras que ficam em frente a Cidade, NADA foi feito pelo agente de Meio ambiente do Município e até aumentaram as criminosas ações que praticam face ao REAL estado de IMPUNIDADE das autoridades locais.. Eu que  sou de uma  família que desde 1889, explora as terras com "estradas de seringa", sempre cultivamos a terra e trabalhamos com os seringais com normas de conduta que visavam a preservação da Natureza, impedindo desmates, orientando e FISCALIZANDO a maneira que as árvores eram sangradas, mostrando aos nossos Seringueiros o valor de cada árvore que representava o seu "ganha pão", o instrumento de seu trabalho. Nunca fomos contra alguém derrubar uma árvore para fazer sua casa ou reparos em alguma que ja tinha, fazer uma canoa, mas   sempre  instruímos a ter cuidados ao cortar , limpando o tronco, cortando os cipós que se entrelaçam na árvore a ser abatida, e se os deixamos, ao cair a árvore grande, arrasta consigo várias outras  causando uma clareira.  Apesar de sempre ter compradores de madeira na região, nunca exploramos nossas terras, com negociações de grandes extrações..   A uns cinco  anos, legalizei um Projeto de Manejo Florestal cujo objetivo maior era inibir a invasão da  área  pelas quadrilhas de  extratores ilegais de árvores nobres.  A prova do que digo é que por duas vezes fui advertido que meu potencial de exploração estava em débito com a quantia a ser cortada e depois não consegui mais manter o projeto...não foi renovado.  Aqui nesta área bem na frente da cidade existe um grande lago. Em sua  ilha central descobri um tipo de Massaranduva que quase não tem a parte branca logo após a casca.  Nunca deixei que retirassem um única árvore pois eu queria dar oportunidade aos  cientistas estudarem esta espécie nova para mim. Agora o Agente, {Secretário de Meio Ambiente}  diz a população que nós não temos mais o direito sobre as terras e que ela pertence a Nação... recentemente fizeram uma grande derruba de mais de cinquenta árvores, os restos de troncos estão aí como prova. Creio que poucas ou nenhuma restam para estudo. Ora, enquanto acreditavam que as terras eram nossas {inclusive nós}, tínhamos como lutar  mesmo sem muitos recursos econômicos tínhamos como lutar e conter  o roubo de madeiras  que era  controlado por nós. Agora...fazer o que? queixar a quem? se o responsável pela Floresta é no caso o maior incentivador?   Temo que atrelado a esta posição de descaso exista uma conotação politiqueira de provincianismo, aonde ainda se impõe a compra de votos. Não conheço uma ação de indenização pelos muitos anos [mais de CEM] no qual  , estivemos lutando pela preservação sem visar lucros econômicos com a venda de madeira. Nada disso foi olhado, nada foi estudado nem levado em conta. Houve uma desapropriação que reputo: INJUSTA e que apenas  LEGALIZOU a exploração sem ,limites dos que apenas veem na Floresta uma fonte de renda, sem pensar ou respeitar mais nada.  Que venham  Fiscais e que aqui na cidade  investiguem se estou mentindo,mas que venham,com o intuito de ffazer Justiça, que punam os infratores sejam eles quem forem, somente assim poderemos  legar aos nossos filhos e netos a maravilha que ainda resta da nossa Floresta.                                                                                                        

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Caisuma uma bebida estranha feita pelos Kurinas.


Quando fiquei um bom tempo me relacionando com os Kurinas, seus costumes, me surpreendiam a cada instante. Em uma noite  de um mês de Agosto, quando o céu tropical da Amazônia se enche com milhões de estrelas, em um espetáculo difícil de se ver em outro lugar da terra, que não estejam bem nos trópicos, os meus amigos aproveitam para  fazer uma farra tomando  Caisuma.   Seria muito normal este comportamento, se a bebida  em questão, eu não tivessse visto ser preparada. Dois dias antes, eu notei uma agitação entre as mulheres da tribo. Se reuniam e com cestos  confeccionados de cipó ou talas de palha de Buriti, partiam para a roça de Macaxeira. O que estranhei, foi a quantidade de Mulheres que iam na expedição, pois sabia eu que todos os trabalhos da tribo, são elas que fazem, e sempre via uma ou duas, irem buscar as raízes de Macaxeira para seus consumos diários, mas naquele dia, seria muita a quantidade que colheriam.  Os homens não  participam de nenhuma atividade assim... a eles fica o dever de caçar, pescar, e vez por outra, se surge uma oportunidade, assaltar o roçado de alguém, mas sempre elas estarão perto para trazer o produto do furto. Quando voltaram com a pesada carga, após uma efusiva e calorosa recepção, [não normal] formou-se uma roda de mulheres que começou a  descascar, e cortando em pedaços pequenos, os colocavam na boca, e os mastigavam bastante, mas não os comiam: cuspiam os moídos pedaços em uma grande espécie de bacia; todas ao mesmo tempo.  Não entendi a finalidade daquele comportamento, e curioso, perguntei ao meu amigo Rubio, [chefe Tuxáua da tribo], para que estavam fazendo aquilo, sua resposta me deixou surpreso e  constrangido, pois ele explicou, que aquele era o método de fazer as raízes fermentarem. Aqueles pedaços que estavam sendo moídos na boca ficaram alí fermentando por dois dias e só então seria preparada a Caisuma.   Depois disto,desta esclarecedora informação jurei a mim mesmo, que nunca tomaria tal bebida. Tomada em demasia, ela tem efeito embriagante, mas somente assisti a tribo toda consumir, enquanto dançavam, bonitas danças tradicionais. Nesta animada noite estrelada, até as crianças que apareceram lá tomaram.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

CURIOSIDADES DOS íNDIOS kURINAS


Como já falei antes, vivi um tempo da minha vida muito ligado a uma tribo dos Kurinas. Cheguei a residir com eles na aldeia, e tornei-me um membro da tribo embora, guardando comigo uma imensa parte dos meus costumes, mas sempre procurando não impor para eles a minha cultura e sim, querendo apreender o que podia com eles.   Lembro bem que na chegada das chuvas, a selva fica fervilhando de vida nas poças d'água que se formam, após cada chuva forte e assim o rio que cresce vai absorvendo, e engolindo a várzea. Existe um tipo de rã, que não é muito grande e que os seringueiros chamam: Sapo de Enxurrada.  existem as centenas e  como se surgissem em um passe de mágica, após cada chuva se ouve seu canto em todo lugar. Bom, os índios então constroem paneiros [Cestos de cipós trançado com a trança não muito fechada]do grosso e fino alternando, e então em alguma manhã depois de uma noite inteira de chuva Amazônica, daquelas que passa a noite inteira chovendo fino e grosso em uma alternância constante, se reúne quase a tribo inteira, pois na aldeia ficam apenas os anciãos e as crianças bem pequenas, o restante entra na selva e começa a caça a estes animais. É uma festa, logo todos estão coletando rãs e jogando dentro dos paneiros que devem ter uma tampa de palha, mas o difícil é manter as rãs quietas dentro. Depois de horas de atividade ja com uma carga completa nos cestos, que não são tão grandes, a tribo retorna, cantando uma música de alegria.  Ao chegar a aldeia uma fogueira ja foi acessa e tem água, em uma grande panela que deve estar fervendo. As dezenas de rãs  são então atiradas dentro deste recipiente e cozidas pelo fato da água estar borbulhando ao ferver.  Três minutos no máximo e os homens  e mulheres derramam a água e logo ao seguir começa o festim da comilança, geralmente acompanhado por pedaços de Macacheira bem cozida. Por vezes vi índios e índias com uma rã ainda contraindo as pernas , dentro da boca  sem nenhum escrúpulo. Preciso dizer que nem as vísceras se retiram antes de degustar. Com o calor as tripas se retraem e ficam emboladas em um montinho.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Novembro começa a época da enchente, nosso inverno.


Nos rios estreitos como o querido Eiru, neste mês de novembro, acontecem os primeiros "ripiquetes" que é como chamamos as primeiras investidas do Rio para crescer seu volume de água. Um outro afluente do grande Jurua, fica um pouco abaixo da foz do Eiru, é o Rio Tarauacá, bem maior que o Eiru e sem dúvidas o rio mais barrento que conheço, sua água nesta época do ano, se transforma em uma lama fina e para beber, as pessoas tem que coletarem água e deixarem decantar por mais de uma hora em um vaso para que a lama fique acomodada no fundo e então ter água relativamente limpa em cima. Viajando subindo o rio, é impressionante, a quantidade de detritos que desce na forte correnteza deste rio. No Rio Eiru, o que predomina a chegada das cheias, é uma espuma bem espessa embora pouca ,que fica nas margens em face da queda de barranco por conta da correnteza.  Para quem sangra as Seringueiras, a coleta do corte diário sofre um abalo, pois as chuvas que caem diariamente sempre entram nas tigelinhas que estão enfiadas nas árvores e água faz o latex transbordar. No início da temporada, o Rio avança devagar, mas logo subirá com impetuosidade e as margens nas várzeas se cobrirão de água criando ilhas que sempre ficam repletas de animais e sobretudo Cobras peçonhentas como as Surucucus que se camuflam nas margens e atacam os incautos caçadores que invadem as ilhas.

sábado, 9 de novembro de 2013

Curiosidade bem estranha , para capturar grandes peixes, tipo Jaú. Parte 2


Em uma fase de minha vida, quando trabalhava gerenciando todos os seringais do alto Rio Eiru, resolvi deixar de fumar. Eu era um  viciado visceral, compulsivo e, dominado realmente  pelo vício.  Chegava a  consumir uma  média de cinco maços por dia. Para se ter  ideia eu pesava apenas 58 Klos, e como é próprio de  quem fuma, eu também era dono de uma insistente Tosse que, se não  atrapalhava demais, era constante.  Quando deixei de  fumar, me senti perdido  e, para não cair no fracasso da atitude, reuni uns amigos meus do seringal, e organizei uma expedição de exploração ao Alto Rio em uma , área que nem a seringa era explorada pela extrema dificuldade  de acesso mesmo em pequenas canoas, tal a quantidade  de obstáculos que encontrávamos  em cursar seu leito. A cada curva, uma árvore que caia, outros velhos troncos que ainda permaneciam fortes, muitos cipós que se entre cruzavam no alto das árvores e se estreitavam caindo em forma de espessas moitas, fechando o Rio que nestas alturas, era apenas um estreito  Igarapé. Muitos animais encontramos, macacos Guaribas, Pregos, Pretos, os Acaris dos dois tipos [ um de cada lado  do Rio, impressionante como não cruzavam o pequeno espaço que os separava.], além de Antas, porcos Queixada, muitas Pacas, vário tipos de aves, enfim o Paraíso para quem como eu na época era um exímio  atirador e gostava muito de caçar. A medida que avançávamos,a água sempre barrenta, se tornava bem mais limpa e dava para ver centenas de  Matrinchãs, velozes que pareciam setas  douradas , que se dispersavam quando nos viam. Outros peixes passavam também, eram  pacus, e uma infinita variedade  de pequenas Piabas, além dos grandes peixes de couro que ficavam sempre perto  dos poços mais fundos que se formavam , e que escondiam  ao perceber nossa presença, centenas de Pacus  Mafuras, e os grandes Jaús, esporadicamente, uma cobra Sucuri . Era como se fosse a elaboração desses filmes americanos de selva no qual, os animais de Zoos, são alugados para figurar... uma diferença: ali era a Natureza mesmo,majestosa e selvagem.   Após  oito dias de caminhada  ja andando mesmo pois as canoas ha muito não podiam mais trafegar, resolvemos voltar , pois sentimos que o Rio ainda cursaria muito longe.  Depois que passamos por um último afluente de nome Ciparú, só soubemos quem era o Eiru,  pela presença das Imbaúbas que no afluente não existiam.  Não matamos senão para comer, pois nem era possível transportar a caça até a canoa, que estava muito abaixo, em um Igarapé, de nome Currupião . Na viagem toda as quatro horas da  tarde, era necessário parar  para  fazer um "Tapiri" [nome que se dá , a pequenos abrigos feitos com palha para pernoite ou proteção de uma grande chuva.] mas os nossos eram espaçosos , a expedição contava com duas canoas e oito homens. A fartura de palheiras nas margens do Eiru , facilitava a construção bem  acelerada, pois contávamos com pregos, martelo e um bom serrote, além de terçado[Facões].
                                                PARTE   2   

Sempre ao deitar, após desfrutar de uma saborosa refeição, [levamos, os temperos para melhorar a comida, Pimenta de reino, Cuminho, Cebola,  Manteiga, Extrato de Tomate ] com este  verdadeiro luxo  para a ocasião,  e com uma caça fresquinha, além da  fome causada pelas horas de trabalho, sempre as refeições eram verdadeiros banquetes. A cada noite uma grande fogueira era  acessa, pra afazer a comida e para afugentar os predadores naturais.  Sempre ouvimos as Onças Pintadas, esturrando, dando aqueles urros que emite com a boca voltada para o chão e que chega a estremecer a Floresta e afugenta os animais que em pânico, correm em todas as direções, geralmente caindo algum no seu poder.   Apesar de temeroso, é muito bonito ouvir aquele som. Também, o canto dos Jacamins, que em bandos de até cem indivíduos, repousam no alto das árvores, pois os dias passam caçando insetos no solo. Cantam de hora em hora, e se é noite de Lua, fazem um belo concerto.  A selva, bem distante dos lugares habitados pelos humanos, é diferente ema tudo. Sons que você nem identifica, luzes, de insetos e também de folhas em decomposição que no solo, parecem uma renda de minúsculas luzes, pois são florescentes, ao caminhar você tem a sensação de estar pisando em estrelas, é lindo, é mágico.  Mas como eu ia dizendo, sempre antes de deitar e ficar jogando conversa fora, armávamos linhas possantes com grandes anzóis para pescar  os Jaús, peixes imensos  e feios, pois a sua cabeça é desproporcional ao corpo, chegando a medir um terço de seu tamanho. São abundantes no Rio, e cada noite pegávamos um. Os meus amigos gostavam de fritar rolas de seu corpo, e comer com farofa de  farinha de mandioca.  Só era colocado uma única linha, para não capturar mais que o necessário. Bom agora vou narrar a curiosidade que deu razão ao texto:  sempre a linha era colocada as oito horas da  noite e no máximo as oito e vinte algum peixe ja estava fisgado. Nesta noite não foi diferente, senão pelo tamanho exagerado do monstruoso  e esfaimado peixe que nem deixou  a linha tocar  o leito do rio, logo abocanhou e nadou um pouco. Fui surpreendido pelo  fato, mas segurei a linha, e o peixe sentindo  resistência, simplesmente deitou , e ficou imóvel.  Tentei puxar, mas nada consegui. Chamei um dos participantes da comitiva, e nós dois também não conseguimos. Parecia que o anzol havia ficado preso em algum tronco imerso, não se movia.  Logo os outros amigos chegaram e um, que era mais experiente nestas pescarias neste Rio, falou: é um Jaú dos grandes e ele está na linha.  A equipe toda de oito homens estava tentando e nada. Foi então que um dos homens falou: eu estou mascando uma "brejeira"...ou seja ele estava com um pedaço de tabaco regional dentro  da boca, Pediu-me licença para usa-la para dominar o peixe  e, surpreso perguntei brincando: você quer ir até ele e oferecer tabaco?  Todos riram mas o Sabiá [apelido do mascador] retirou o melado e viscoso pedaço de tabaco da boca e sem lavar, fechou a mão com o pedaço dentro e começou a friccionar a linha para cima e para baixo.   Quase não acreditei quando senti a linha afrouxar e ver o imenso peixe se deslocando para  a superfície. Então conseguimos puxar para a margem e com o auxílio de varas improvisadas  como lança, matar o imenso animal.  Creiam se eu não estivesse ali, não acreditaria. Ja tinha conhecimento que  este método  era usado mas, supunha que era apenas mais uma historia de caboclo pescador.   PURA VERDADE   !!!
                                                         

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O encanto da Bio diversidade


Ontem passei o dia na selva , cheguei em casa ao entardecer,ao anoitecer liguei a luz do meu banheiro e fui ao banho. Estava cansado,e comecei a observar a enorme quantidade de pequenas , e minúsculas borboletas e mariposas  noturnas que começavam a entrar e pousar nas lajotas da parede . Umas mais bonitas que as outras, com desenhos lindos ornamentando suas asas. Algumas tão pequenas e de formatos tão estranho, que desejei ser um "expert"em Fotografias para captar imagens macro e poder dividir com o mundo, esta riqueza que a grande maioria de meu povo sequer nota a presença.  Uma em especial chamou-me a atenção: bem pequena, talvez meio centímetro de ponta a ponta das asas, mas seu estilo, seu desenho lembrava um destes aviões supersônicos ultra modernos.  Mais ainda me prendeu a atenção, quando a ví se deslocando e articulando as asas, de formas que pareciam se emendar.  Vou desenha-la e postar em breve. Farei um desenho do tamanho real, e outro ampliado para mostrar o estilo arrojado de sua anatomia.   Cada vez mais me convenço que a Amazônia continua sendo um mundo a explorar. Temo que mundo está se perdendo, se extinguindo antes mesmo de ser conhecido. Srs. Biólogos e outros cientistas, venham conhecer nossa terra. Tenho certeza que aqui, se convenceriam de que precisamos, parar a destruição que  está acontecendo de árvores, e assim de  muitos habitantes das  mesmas.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Mudança de clima, afeta a vida de animais na minha região.


    Na minha condição de  admirador, e observador da minha terra, apesar de  autodidata, tenho percebido, que a mudança real de clima, o  descompasso das chuvas, que enchem os Rios, que cobrem várzeas, tem causado um impacto na população de pequenos seres, que em cadeia no próprio sistema alimentar do meio ambiente, vai afetando outros maiores que os  consomem, e assim sucessivamente.       A quarenta anos atrás, a temporada de frio  no inverno do Sul e Sudeste, era presente aqui na região com "Friagens"fortes e, com datas certas para acontecerem. Agora, este fenômeno que ocorria sempre em  Meados de Maio e tinha sua força no mês de Junho, e mesmo perdendo força seguia em Julho, agora, aparece esporadicamente e em curtos espaços de tempo, sem um data  certa de acontecer. As águas costumavam descer, em fins de Abril, Maio e junho já estava bem seco possibilitando aos habitantes dos pequenos rios e igarapés, "roçarem" suas estradas de Seringa, escolherem suas terras  para um roçadinho de mandioca, enfim começarem o ciclo produtivo do ano em curso.  As "Friagens", tem a função de secar as matas, enxugar as várzeas, os caminhos , na Selva em tempo hábil para os trabalhos. Com esta nova onda de clima, sem um frio regular, tudo foi modificado, e até os poços que sempre ficavam cheios de Tamboatá, um pequeno peixe cascudo que , ficava retido as centenas, em pequenos poços de máximo cinco metros de circunferencia, agora já quase  não existem, pois os poços não de definem como antes. Estes poços tem uma particularidade: dentro de cada um deles, fica um casal de PORAQUÉS, [ os peixes elétricos. ] e para despecar a pequena lagoa, é necessário retirar o casal, geralmente , uuma engraçada aventura.  Diga-se que: enquento não se retirar os Poraqués,o poço não seca, mesmo que se retirem a maioria dos peixes cascudos.  Os  peixinhos naturalmente alimentam o casal, que por um processo desconhecido para mim, retribuem a alimentação não permitindo que mesmo um Verão forte, seque o  seu habitat. Quando matam os Poraqués, mesmo que restem muitos tamboatás dentro do poço, logo ele estará totalmente seco. A eleytricidade dos Poraqués, é então o preservador da água. Ao revirar  o pequeno espaço na cata dos peixinhos, a água se torna lamacenta e os peixinhos só sobrevivem porque respiram Oxigênio puro, mas se os Poraques permanecerem vivos a água novamente ficará limpa e potável, se no entanto os matarem, não haverá retorno de decantação da água e a lama secará matando tudo que ficou, pois endurecerá em pouco tempo. Rios que antes secavam muito, agora permanecem com água muito além do que era antes. Várzeas que eram cultivadas com Milho, Arroz, nem sempre oferecem condições de cultivo.   Mudou, antes no  periodo que chamamos Verão eram raras as  chuvas e tinha tempo certo para  cairem, este ano agora 2013, quase não tivemos Verão, choveu o tempo todo e agora nente mês de Outubro, devia estar começando a temporada de chuvas que, já está instalada ha tempos.  Lamento, que até aqui neste mundo perdido, os consequencias da brutal POLUIÇÃO, tenham chegado e desregulado um relógio biológico que sempre e sempre, regeu as regras de nossa  vida.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Papagaios os barulhentos da Selva.

Nossos conhecidos, e folclóricos amigos, que figuram até como mascote de Piratas nos bons e velhos filmes americanos de Capa e Espada. Aves abundantes em muitas florestas do Planeta, aqui na amazônia, existem em diversidade bem expressiva, tendo seu mais alto representante, nas coloridas e belas Araras. No Rio Eiru, a família começa [ em escala crescente de estatura,] com um minúsculo Periquito, que cabe perfeitamente dentro da mão de um homem de tamanho normal, anda aos bandos e, é conhecido como:Papa-cu. De coloração totalmente verde, ele voa em companhia de um primo bem maior, cujo bando geralmente tem centenas de indivviduos, e gostam de comer residuos de sal nas fazendas, onde se cria Gado Bovino. Um que tem na sua testa, uma mancha amarela, é conhecido com o nome de Estrela, e tem fama de aprender muitas palavras. É facilmente encontrado nas barracas dos seringais criado como animal de estimação. Sempre são criados aos pares ou ,até seis. Ficam bem doceis e apegados a algumas pessoas da família. Um  pouco maior ainda, não tem cores diversas da varde. Estes são chamados Periquitos e seu rabo é curto. Então vem as Curiquinhas, que embora sejam de tamanho equivalente aos Periquitos, são uma miniatura das Araras e com os rabinhos bem longos, e bem coloridas. Tem tres tipos destas. Uma nidifica sempre em troncos velhos carcomidos, e gostam de procura-los no meio das derrubas dos roçados de mandioca. Os periquitos comuns fazem ninhos dentro da floresta, bem como os outros da família. Na sequencia de tamanhos, aparecem agora as grandes Curicas que tem uma variedade de cinco espécies, com cores variadas embora predomine o verde. Duas se destacam pela beleza, uma de cabeça negra com detalhes no corpo de um amarelo ouro e vermelão, e outra com a cabeça azul. Passamos então as Maracanas, são Araras de tamanho médio, e variam as cores de verde com azul ou vermelho. São pereseguidaspelos ribeirinhos, pois adoram comer o milho que sempre é plantado nas praias, na parte de cima. Os agricultores as vezes constroem pequeninas baracas nas quais deixam crianças  para afugenta-las, outras vezes o velho espantalho, sempre vestido com alguma peça de roupa velha. Agora é a vez dos Papagaios,  tres tipos são encontrados: um comum, totalmente verde[ o menor deles ] outro com a mancha amarela e tambem com o nome Estrela, é bem esperto e aprende a falar frases, cantar algumas partes de música embora a pronuncia seja um tanto quanto  diferente...o ultimo é um papagaio grande, e tem ao redor dos olhos uma lista branca. Tem o corpo do tamanho do de uma Arara, e não sei porque, é conhecido como: papagaio Urubu.  É um contra senso haja vista que náo tem uma pena negra..Na familia agora só falta falar das lindas Araras, que são a Canindé azul e amarela, e a Vermelha, que tem na região das asas, penas amarelas, azuis e verdes, e as penas longas de sua cauda são azuis.  Algumas aprendem a falar poucas palavras embora seja um fato raro. Quando na Floresta, são barulhentas, brincalhonas e andam aos bandos de até trinta indivíduos. Quando formam um casal, esta união é para todo o sempre e, na morte de um, fatalmente o outro morrerá. Gostam de comer cocos, tem um bico fortissimo, e são facilmete domesticaveis, quando chegam novinhas da Selva. Neste desenho, vocês podem notar que estão meio de lado e prontos para sair voando...é que são arredios e sempre que os vemos, tratam de sair andando de lado. Lamentavelmente, sei que é porque são perseguidos e mortos para se transformarem, em comida                                                         

POR FAVOR AJUDEM_ME A PRESERVAR ESTE MUNDO ENCANTADO DA AMAZÕNIA

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Cena típica do "inverno". as várzeas são cobertas pela água do rio.

Nas cheias dos rios, as partes baixas, próximo a foz, as várzeas, ficam submersas por grandes extensões. Os caboclos residentes, embora acostumados a esta situação, ano após ano, sofrem por conta de seus animais.  Os que criam gado bovino, sempre tem um campo na terra firme, mas cães, galinhas, porcos, tem que ser cuidados perto deles, e então, vem o cuidado constante, quer seja no improviso de um local para acolhe-los, quer seja para conseguir comida, ainda para evitar o assedio de animais predadores[sobretudo as cobras Sucuris] e assim, esta cena retrata com fidelidade, o cotidiano de uma família ribeirinha do baixo rio Eiru . Aqui veja que o cachorro está alojado dentro de uma canoa, é para não sujar a casa, o porco descansa em cima de uma pequena balsa de toras de Imbaúba, e o tempo passa lentamente indiferente a monotonia que se instala.