segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Noites de Luar, caminhadas para comer pã0 quentinho.

Nem sei se meus  visitantes estão gostando de minhas últimas postagens. recebo esporadicamente alguns comentários, e para  ser sincero, gostaria que fossem bem mais, para trocar  ideias, para aceitar  sugestões e saber:  estou seguindo um caminho certo??? Na verdade, é que mesmo para os habitantes atuais de minha Cidade, estes fatos passados, não tão remotos,alguns são totalmente desconhecidos e quase impossivel de acreditar que as Inambus fizessem isto... Afinal , todos conhecem estas aves, mas hoje em dia a margem oposta está cheia de casas, roçados, crianças, luz elétrica, barulho e o natural desaparecimento da vida selvagem, aconteceu  sumindo cam as aves...  Então agora vou contar um outro episódio, do dia a dia.  Naquela época, o transporte de  meracdorias era feito por embarcações movidas a vapor, e as  mais comuns, eram as "Chatas", que  ganharam este  nome porque seu casco todo  em ferro era uma balsa bem baixinha onde se construia em cima, dois pavimentos.  O de baixo abrigava a lenha que era comprada nos portos jã estabelecidos, tinha um curral para acondicionar  animais para o abate e a manutenção  alimentar, as  máquinas imensas,a grande Caldeira, e ainda serviam de lugar para dormir em redes para aqueles que não podiam pagar  o preço de um camarote. Tambem na parte de baixo eram abrigados os tripulantes inferiores, marinheiros etc. Na parte superior, a sala de comando com uma imensa roda de leme, toda em madeira entalhada, a seguir quatro camarotes para a tripulação de elite, Comandante, Imediato,Gerente Comercial ´e um Enfermeiro, seis camarotes eram destinados aos passageiros de "luxo", tinha um espaço com uma mesa bem comprida ali se servia a alimentação dos passageiros e dos tripulantes,[ esta mesa era removível na ocasião de  llgum  baile], no canto esquerdo da  popa, uma lojinha [precursora das lojas de conveniencia] vendia até gibis, que embora antigos, eram a minha paixão, logo agregado a loja, o banheiro feminino,  separados por um estreito  corredor, no lado direito o banheiro masculino, uma mini padaria e ainda a cozinha deste andar.. esqueci de  dizer que na parte de  baixo  tambem tinha uma cozinha.  Era um luxo para a época mas, andava muito pouco, era lenta demais, era impulsionada por uma grande roda de ferro da largura do barco e nesta roda, tábuas grossas de  madeira pesada tangiam a água. Em  cima do toldo, uma comprida chaminé não parava um segundo de expelir uma fumaça as vezes bem escura, dependendo do esforço  desenvolvido. Um apito de som fino e estridente, anunciava sua chegada e sua saída. Era ouvido de  longe, e cada vez que soava  vinha acompanhado de uma nuvem de fumaça extra..  Gastava entre  Manaus e Eirunepé "somente" trinta e sete  ou trinta e nove dias. Muitas vezes pessoas com parentes doentes que adoeciam em Manaus, enviavam cartas anunciando a doença, mas quando as recebiam os parentes que qui estavam,os doentes, haviam morrido.  Bom deixem eu contar que era nestas  embarcações que a Cidadezinha comprava TRIGO, para fazer os pães que todos gostavam tanto.  Geralmente  compravam apenas seis, no  máximo  dez sacas, que duravam apenas uns vinte dias.   O municipio todo devia ter umas tres mil pessoas, entre os habitantes da Cidade que  era de cerca de mil e oitocencentas pessoas, e a população dos seringais completava tres mil  habitantes.   No dia da chegada da CHATA, era uma festa, e independente  da hora que chegasse, apesar da anciosa e incontida espera,  os pães só seriam feitos ao anoitecer e vendidos em seguida quentinhos...uma mania, rabugenta do dono da  padaria? o velho  bonachão e enfezado portugues, Chico Ferreira.  Respeitado e querido na cidade, só muito tempo depois de sofrimento inexplicaval, consegui  [Será mesmo], entender  o porque desta atitude:  a falta de pães, a chegada do trigo, e nas noites deste acontecimento, as moças de família se reuniam e iam até a padaria em um verdadeiro desfile de beldades. Lá, atras  do  balçao, um sorridente coroa, tirava suas casquinhas com as donzelas.  Casquinha  estas que não passavam de meros e melosos elogios ditos em um portugues arrastado no sotaque luso, que as moiçolas quase sempre não entendiam mas que gratificavam o velho portuga com esfuziantes sorrisos.  Esta era a festa do  PÃO. Outros padeiros depois fizeram historia tambem: Sr. Juvenal, pai dda linda Anita e o folclorico Sinhorzinho, um especie de Bocage tão propalado por suas ferinas "tiradas".Hoje tudo  isso foi esquecido, talvez na verdade  careça de valor, mas para mim, um contador de  historias é bom registrar. Ajude-me a tornar  melhor  meu, nosso Blog: teça comentários vai me deixar feliz, tanto quando recebia de  minhas irmãs no balcão  da  padaria,  o desejado PÃO.  

domingo, 15 de setembro de 2013

A invasão das Inambus


   Proseguindo em meus relatos sobre Eirunepé da época de  minha adolescencia,  devo contar  sobre a Invasão das  Inambus.   Em frente  a nossa Cidade passa o Rio Jurua e a margem oposta é varzea, ou seja: na época das cheias fica submersa com até dois metros de profundidade, em alguns lugares, mas, em frenta a cidade não fica nada de terra. Na  parte de tras desta margem se situa um lago e não existe  terra ffirme senão  no lado da cidade. As Inambus, são aves da  familia dos galináceos, primas das perdizes  que habitam a Europa e o sul do Brasil. Existe uma variedade grande delas, e aqui perto da cidade  existia a mais comum, que chamamos Macucau, tem  o porte  médio, podemos comparar  com um frango novo,[esta comparação se prende a quantidade de carne da ave, ja que no aspecto físico as Inambus tem a cabeça pequena semelhante a um Pombo e suas pernas são curtas.  Voam em curtos espaços e isto era a causa de cairem na cidade pois para atravessar  o Rio tem que voar mais de cento e cinquenta metros, um esforço e tanto para uma ave que vive andando no chão.] e elas nesta época eram abundantes perto  da cidade e forçadas a fugir da enchente, atravessavam o Rio e caiam nas ruas ou quintais da cidade fazendo a festa da meninada e até de adultos. No inicio do inverno quando as águas começavam a subir, todo dia caia umas dez ou mais . Lembro uma vez que minha mãe que era muito  religiosa estava na igreja ao entardecer com umas comadres suas, e uma Inambu entrou por uma janela e caiu bem a seus pés, não preciso dizer que ela a trouxe  para casa .  A diversificação das Inambus é grande , e vou fazer uma descrição  por tamanho, citando as menores e evoluindo no  tamanho:  URÚ, do tamanho de  um pombo mas com o aspecto de perdiz, Inambu Preta, do tamanho de um franguinho, Inambu de Terra firme, um pouco maior, Inambu  Macucau, Inambu Galinha, seu nome se deve ao tamanho e semelhança com sua parente, mas diga-se que a Inambu tem mais carne na parte  nobre: tem o peito bem mais carnudo. Por fim existe a Inambu Azul, um especie que mesmo nos seringais está raro de ser encontrada , Está em plena fase  de extinção devido a sua caça, desenfreada, nas  decadas de 50/60. Esta ave bastante grande , quase  do tamanho de  um Peru, tem sua coloração em tons de cinza que  os caboclos chamam azul..Será Daltonismo???      Uma observação lamentavel; todas são gostossissimas, e portanto muito perseguidas.  A  Inambu  Macucau, deve ter  um processo muito  especial  de procriação haja vista que ainda existe em  quantidade na região, e sempre é a mais fácil de se encontrar. Os Amazonenses, aprendem a imitar seu assovio e, na selva se escondem e a imitam; ela muito curiosa vem se entregar ao caçador que pode atirar com uma distancia mínima.  Quando as águas começam a recuar nas váezeas, os moradores de  seringais , ou comunidades, espalham armadilhas que chamam Arapuca, e pcolocam frutos de  uma planta da família das  Gramíneas e conseguem caoturar muitas, depois, as escondidas  são vendidas  na  Cidade. 



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Minha infancia e adolescencia na cidade de Eirunepé.

Acho que estou com uma crise aguda de saudades da minha antiga Eirunepé.  Não sei se me joga de encontro as lembranças, as mudanças tão drásticas que hoje presencio com pesar.  Antes a Cidade era pequena, a população se conhecia, se gostava e respeitava. Era um tempo de muita tranquilidade, sem carros nas ruas, apenas umas poucas bicicletas, sem TV, sem Celular, sem AIDS, sem DROGAS [a única que se usava era a velha e boa pinga, ou o tabaco natural] tabaco que era, usado artesanalmente sem o agravante das quimicas para torna-lo perfumado e atrativo.  Até os aviões eram poucos os que aqui chegavam, a Companhia Aérea era  a Pannair, que usava os aviões anfíbios Catalina remanescentes da Segunda Guerra Mundial. O percurso entre Manaus e Eirunepé era feito em cinco longas horas, em face do baixo desempenho da aeronave e tambem da demora em todos os aeroportos que chegava, ou os flutuantes que os recebiam na época das cheias. O mercado, vendia peixes, grandes saudáveis e muitos, no entanto carne de bovinos ou mesmo suinos, era raro ter disponivel acontecendo tambem com carne de frangos, ja que só os consumiam pessoas que criassem em seus quintais. A alimentação era natural e sadia. Verduras sem agrotóxico, Galinhas sem anabolizantes, cresciam normalmente saudaveis e muito gostosas. As canoas eram impulsionadas por remos, e cheguei a ver uns dois documentos datados dos anos de 1889, nos quais as distancias eram registradas nestes documentos pelo tanto de remadas que uma pessoa tinha que fazer em certos trechos.  Não existiam motores, adaptaveis com rabetas e rarissimos eram alguns que chegaram aqui, movidos a querosene tipo motores de popa, só que suas rabetas mediam mais de um e meio metro de comprimento, e seu tamanho apesar de terem no máximo oito Hp, correspondiam aos de hoje com 150Hp.    Varias vezes vi pessoas chegarem com Pirarucus de tamanhos descomunais, alguns com mais de tres metro e pesando quase duzentos quilos, Tambaquis de trinta Klos eram comuns, e os maiores chegavam aos trinta e sete ou trinta e oito, e sempre eram pescados. A pesca destas espécies citadas eram feitas as vezes em frente a Cidade no Rio e nos lagos da periferia ,abundavam. Minha mãe criava muitas Galinhas e eu lembro que aguardava ancioso os dias de semana quando ela preparava este prato. Registro aqui a arte sem igual de minha genitora na arte culinária. Tinha um livro editado em Portugal que tinha sido de sua mãe que a recebera de minha avó, que tinha todas as boas receitas de doces e bolos.  Nem preciso falar que ninguém conhecia Gás, e os fogões, consumiam lenha. Minha mãe muito criativa e inteligente, projetou um forno pratico para assar pequenos bolos feitos em uma lata vazia de querosene. As latas, tinham capacidade de vinte litros, Minha mãe retirou a tampa de uma delas, e mandou que um funileiro [o único da cidade]  soldasse dentro da lata uma chapa tambem de flandre, dividindo um terço do espaço util do interior da mesma. Na parte baixa, colocava carvões acessos, acima da chapa, a forma com o bolo e, em cima da lata mandou fazer uma grade tambem de fflandre de dez centimetros de altura que rodeava a lata,que tambem recebia carvões, assim o bolo era aquecido rapidamente com calor por todos os lados.  O fundo da  lata tinha pequeninos furos, e na frente uma tampa confeccionada pelo funileiro fechava o "forno" depois de receber os carvões e o bolo. Coisas assim aconteciam estimulando a criatividade adquadas  a situação do momento. Lembro que meu Pai trouxe um fogão de ferro esmaltado a lenha, que tinha além de tres bocas para fogo, com tampas que regulavam as chamas, um grande forno, e ainda a novidade de ter um deposito para água que aquecia com o uso de qualquer atividade do fogã o e ainda contava com uma torneira para retirar água.  Vou fracionar este tema em várias postagens pois tenho muito que contar desta época.                                                 

Casa de meus pais nos idos de 1956

Este é um desenho ffeito totalmente  preso a natural memoria que tenho de minha casa  no melhor periodo de minha vida; a minha infancia. Nem sei como definir seu estilo, sei que de inicio era apenas este bloco central e, que ao passar do tempo as necessidades de acolher  mais pessoas,[minha avó paterna viveu os seus últimos anos de vida conosco e para ela foi construido esta aba do lado esquerdo. A aba direita surgiu para o casal,meus pais. e as outras dependencias para dormir ficavam na parte superior acomodava todos os filhos que aqui moravam, pois meu irmão Vinicius, desde muito cedo residia em Manaus ]           Era um tempo bom, de tranquila serenidade, com os valores humanos sendo respeitados, oriundos de  uma educação doméstica rigorosa,que acontecia em todas as famílias mesmo as mais humildes. Infelizmente, uma moça que trabalhou como auxiliar de  doméstica com minha mãe, destruiu com fogo todo um acervo de fotos que existia sobre a família.  Não por maldade, mas por displicencia ela resolveu queimar  umas caixas com papeis, e em uma delas os albuns de fotos foram tambem consumidos pelo fogaréu.  Ficou a lembrança...retida no arquivo das  mais importantes fases de minha vida, ao ver este desenho, viajo revendo meus velhos, meus irmãos, relembro amigos, fatos, datas e tudo o mais que povoa este mundo da saudade.      Hoje, Eirunepé não guarda mais nada desta Cidadezinha. Seus antigod prédios residenciais, casas simples, mas verdadeiros museus de historia, cederam lugar a construções modernas bonitas e caras. A sua infraestrutura atual, obedece os padrões de uma Cidade moderna embora  que pequena. Mudou tambem a maneira de ser das pessoas, a população nesta explosão demográfica do mundo todo,acompanhou a agilidade das inovações e trouxe além da modernidade, da tecnologia, a desvalorizaão de muitos conceitos éticos, de muitas regras agora rotuladas de "brega"mas que tornavam aqueles tempos, além de romanticos, bem mais humanos.       Perdoem o  Saudosismo.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mais uma historia de seringueiro

Coloquei aqui este meu desenho sobre um trecho do Rio Eiru, ja publicado ha tempos, para ilustrar, e dar ao meu visitante uma visão do lugar maravilhoso em que vivi tantos anos de minha vida.  Em uma postagem recente, contei um pouco sobre um seringueiro risonho, muito meu amigo, coisa que era comum a todos eles pois nossa convivencia era harmoniosa, e amiga na mais ampla concepção da palavra. Agora vou falar de um outro, que tinha uma particularidade bem diversa do primeiro, mas nem por isso menos interessante. Vejamos; era um Sr. de meia idade, e que tinha, fama no  rio todo de ser um "homem sabido", embora de verdade  mal assinasse  seu nome. Ele tinha uma maneira toda  formal de cumprimentar as pessoas, e no seu relacionamento  comum era sempre muito sério,e impunha respeito por isto mesmo. Até aí, nada de mais, porém ele buscava ouvir conversas de pessoas mais cultas, e decorava palavras que achava bonitas, e ficava de prontidão para usa-las tão logo pudesse. Assim é que ele se impressionou com a palavra PROBLEMA. Achava lindo quando alguém dizia:-"ora  fulano, isto não é problema. Ou : não tem problema,  isso se resolve etc..  e eu me continha para não  rir, quando o nosso amigo [que nunca aprendeu a dizer PROBLEMA]   sempre que conversava comigo, pagava para contestar algo dizendo em alto e bom som: -ora Sr. Conrado isto não tem PROGRAMA.    Por favor, não interpretem mal o fato de eu contar estas  coisas, estes"CAUSOS", não o faço para debochar nem diminuir ninguém, mas com o simples intuito de dividir com voces fatos que vivi e dos quais, podem crer...sinto saudades.

A Amazônia merece um respeito eo carinho real de todos. Vamos preservar para que nossos filhos e netos possam gozar desta maravilha, que muitos nem valorizam porque estão vivendo nela.

Continua a depredação da Floresta. Infelizmente !

Pessoas dizendo que estão sem casa, ou que querem reforma-las, estão continuamente serrando madeiras  de uma área que minha família preservou  por tantos anos, e esta madeira na realidade é para comercializar, atitude igual a que ocorre com os invasores de terra que alegam não ter onde morar, e esta situação se torna uma empresa de invasões que apenas visam lucro, pois na verdade de cem invasores, talvez nem dez realmente necessitam da terra, A prova está que nenhum membro de minha família fez abate indescriminados como se faz agora.  Nesta região, existiam intocadas várias árvores de uma espécie de Massaranduba, temo que em mais um ano, no processo de desmatamento que está acontecendo, não exista mais uma única árvore. Autoridades veem, sem ver...repetindo o que sempre ocorre nos programas vespertinos das redes de  TV, onde bandidos matam, por motivos futeis, apenas por matar e, não se pode fazer quase nada, geralmente são "menores" que "inocentes" apenas sabem que existe uma IMPUNIDADE que os soltará da prisão, aonde passarão apenas tres anos, quem sabe fazendo um curso de aperfeiçoamente  na escola do crime e da  contravenção.  Aos maiores de idade, a eles é direcionado quase sempre uma equipe de cidadãos da Defesa dos Direitos Humanos.  No entanto, a pobre família que fica muitas vezes sem seu chefe, seus filhos, NUNCA recebe ninguém que vá para tentar ajudar. Êta Brasil !!!!!!!!!!

meus bons tempos de Seringalista.

Lembranças pitorescas do meu tempo de Seringal.                                                                                  O convívio com mais de cento e sescenta famílias de seringueiros no seringal Stª Maria no alto Rio Eiru, me dava a oportunidade de conhecer os mais variados tipo de gente, e esta diversificação trazia consigo um manancial de personalidades bem distintas . Era uma faculdade de Sociologia, quando via certas atitudes, certos pensamentos de pessoas do mesmo nível cultural, mas com suas divergencias naturais a cada ser humano.                                                                                              Tinha  um seringueiro [ainda está vivo e reside  aqui em Eirunepé, no Bairro de Fátima] que ria por quelquer motivo, ou por nenhum, e sempre estava  de bem com a vida. Seu nome: Antonio Padeiro.  Antonio, um moreno de estatura média aos  padrões de nossa região, era um seringueiro de produção regular, e como nao poderia ser diferente; simpático e muito querido por todos.   Quando surgiram os primeiros gravadores vindos para a Zona franca de Manaus , por volta dos anos 66/67, nossa empresa trazia para cá as novidades atraentes que vislumbraram todo o Brasil, haja vista a quantidade de pessoas que chegavam a  Manaus para fazer compras. Bom, comprei um gravador que usava uma fita em dois carreteis, e tinha o aspecto de um rádio  de pilhas, muito usado nos seringais para trazer notícias e os jogos do campeonato carioca. Subindo o Rio, para mais uma viagem de atendimento aos seringueiros do meu seringal, eu passava  pela casa do  bom Antonio que se situava  mais ao menos no meio da viagem entre a Cidade e a sede do Stª Maria. Como eu sabia que ninguem ainda conhecia um gravador, resolvi aprontar uma "pegadinha" com meu amigo, e resolvi parar par que se fizesse  um jantar, e só recomeçariamos a viagem no dia seguinte. A tarde caia, e a noite chegava trazendo o silencio cortado pelos cantos noturnos da selva mas tambem com a conversação entre os tripulantes do barco e as pessoas da casa que sempre queriam notícias da Cidade.  As casas de seringal não usam cadeiras e  é comum as pessoas se sentarem no assoalho, em rodadas para conversar ou para comer. A meu lado, Antonio era sorrindo o tempo todo e sempre eu o instigava com algo engraçado o que aumentava em muito o volume de suas risadas, a seu lado estav eu com o gravador ligado, e afita rodando. Ele olhava , olhava e depois de uma meia hora enfim não conteve sua curiosidade e já para se fazer de ferino observador, apontou para o gravador e querendo fazer pilheria disse: que diabos de rádio é esse? só faz  enrolar uma fita e nunca fala nada?  isto foi dito entre um acesso de riso, contagiante por conta de sua cara que mostrava surpressa e desdém. Depois de mais uns quinze minutos de voltar a fita, eu falei para ele e todos da rodada:  escutem esta rádio nova que eu vou sintonizar. E, quando a conversa que tinha sido gravada, começou a ser reproduzida,e a identificação das vozes e os assuntos recem falados, foi um misto de surpresa e  medo , e só foi contido quando expliquei o que na realidade era o aparelho, e então Antonio disparou em risadas  desta vez incontroláveis, e quando ouvia sua voz e as outras tão familiares, rolava  pelo assoalho de  paxiuba e  apontava para, e o gravador chamando-o de "bixim abusado e fuchiqueiro".  Por muitos dias eu continuei rindo sozinho cada vez que lembrava desta situação tão inusitada, que se valorizava pelo flagrante expontaneo daquele povo simples e amigo.  Se fosse hoje em dia, com certeza sua postagem na Internet seria acessada por milhões de usuários que se divirtiriam muito.  

Estamos na época em que os Quelonios estão colocando nas  praias seus ovos. A perseguição aos ovos e aos próprios quelonios é criminosa. Receio que em mais dez anos estejam Extintos na Amazônia.                                             

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Cisga

Relatos de costumes de meu povo.  ----- A Cisga é uma maneira de arrastar uma canoa em uma praia por ocasião do Verão, quando o Rio está com pouca água, e se o canoeiro estiver subindo o Rio, lutando contra a correnteza. O Rio Juruá, apesar de ser  um dos mais sinuosos do  Planeta, oferece praias sucessivas e algumas muito longas, por vezes acompanhando duas voltas do rio quase sem interrupção. Geralmente o caboclo que vem remando em uma canoa, trazendo consigo a família ou mesmo uma carga de produtos silvestres, tem que atravessar o Rio a cada volta para aproveitar a parte das praias, onde apesar de ser raso, a correnteza tem um volume menor. Ao chegar á praia, então o proeiro, desembarca, se vierem mais pessoas tambem o farão deixando na canoa apenas um de menor peso que ficará na popa, com um remo para  pilotar, ajudando que a canoa não fique desgovernada, pois a "Cisga", é o nome que se dá ao  ato  de puxar a canoa com uma corda longa que deixe um espaço entre a mesma e a praia de pelo menos seis, sete metros. Nesta distancia, o homem que vier por terra se adianta da canoa, e o que vier pilotando, faz com que ela não se aproxime do raso excescivo mantendo uma velocidade regular.  Geralmente tambem ficam na canoa as crianças pequenas  e uma mulher se estiver trazendo consigo uma criancinha de colo. Nestas excurções sempre são ácompanhados por seus cachorros e é com frequencia que o animal, vez por outra saia em desabalada carreira em perseguição de algum animal selvagem que as pessoas  não  viram, mas que seu faro detectou. Quase sempre então a viagem sofre um atraso pois o dono da  canoa, deixa alguem segurando-a na beira e corre com uma espingarda, no rumo dos latidos e sempre volta com alguma caça.  Vou conseguir fotografar uma canoa nesta situação e breve estarei permitindo a visualização da Cisga.  Tentei saber a origem do nome, mas até o momento não tenho uma informação cosistente.      Este é um fato que está se tornando raro, pois agora existe facilidade de ter um motorzinho para impulsionar a canoa, o que torna desnecessário, estas ação.

Meu telefone [092]94590665, caso você que está sempre conectando meu Blog queira fazer perguntas, ou simplesmente trocar ideias, pode ligar. Estarei sempre pronto para  falar sobre esta região maravilhosa e que a meu ver continua desconhecida.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Uma viagem de memória e de saudades.


Fui surpreendido pela vinda de um grande amigo, de um verdadeiro irmão, o Dr. Amazonino Mendes, figura ilustre, renomado homem público, que nascido nos seringais do Rio Eiru, em um momento de puro sentimentalismo, de saudade materializada, pelo laço inconfundivel dos que sabem amar, largou tudo: seus numerosos afazeres compromissos de  executivo bem sucedido e chegou aqui.{ ainda jovem, foi Prefeito  de  Manaus, e nesta época já tinha se firmado   como um bem sucedido empresário  das, construções civís,. administrando sua empresa a ARCA. Sua trajetória política ainda o levou por tres vezes ao Governo do Estado, Foi senador, voltou a ser Prefeito, e agora neste gesto  de Caboclo Amazonida, vem rever as terras onde  durante tantos anos viveram seus ancestrais.} Foi gratificante  para  mim, excursionar ao lado deste  cara que para mim é um ídolo. Para adentrar o rio Eiru, tivemos que embarcar em um barco regional, e, para avnçar até  onde antigamente foi a sede dos seringais do alto rio, levamos pequenos e velozes barcos, que mesmo com o rio ainda com um bom volume de água, sempre oferecia perigo, tal a quantidade de árvores caidas e submersas em seu curso,  Convidou-me  para  ir em sua companhia no pequeno  "deslizador, ou voadeira", e neste  mesmo barco, um grande amigo seu, Dr. Ronaldo Leite, e ainda dois funcionários, um pilotando o barco. A seu pedido, sentei-me na frente ao lado do piloto e fui orientando a direção e ser seguida, graças a Deus a experiencia, de tantos anos que vivi sempre viajando neste rio,  ainda estava em mim, embora adormecida pelo tempo  ausente,  não batemos nenhuam vez.  Depois de longas e  cansativas horas[ apesar da velocidade do possante barco] chegamos ao porto do que nos anos de 40 e 50 tinha sido a sede do Seringal Sabóia, onde  moravam os avós de Amazonino.  Irreconhecivel até para quem nunca saiu do rio Eiru. Em início da década de 1960 a sede dos Serigais ja estava instalada bem abaixo em um local chamado Sta Maria. Nem este local onde o Pai de amazonino tinha uma bela fazenda de gado, se conhece mais.  Uma coisa me sensibilizou, ví quando chegamos ao porto do antigo local, a emoção balançar a estrutura humana de Amazonino. Senti sua emoção aflorar, e competir em tamanho com as Samaúmas os Atroaris, Pau d'arcos e outros. Me perdi nesta comtemplação muda, de ver o respeito, a ternura e a devoção por aquele pedaço perdido de Floresta onde estava contada sem palavras, em cada folha, em cada árvore uma historia que podia ser vista pela janela aberta da saudade. Notei que disfarçadamente, meu amigo limpou uma lágrima que furtiva, desceu em seu rosto, e admirei aquele homem que tantos combates venceu, que tanta luta enfrentou, ser exposto na fragilidade, ou força dos sentimentos de amor.  Este meu novo desenho, retrata o rio Eiru bem no alto, aonde se divide em dois, com um afuente chamado CIPARÚ de onde descem as  águas  barrentas que escreveram a historia desta Família de homens bons trabalhadores e Honrados. É minha justa homenagem ao companheiro, ao homem, ao amigo e CABOCLO AMAZONINO!

O  retorno.                                                                                                                          

Depois de um periodo conturbado, em que minha vida por culpa de uma pessoa que para mim era importante [a única pessoa, de quem jamais eu esperava, que tivesse vontade de me prejudicar, caluniar, na tentativa de ficar com meus bens materiais] eu sofri momentos inimaginaveis, pressões, e aborrecimentos, aonde a força que me deu sobrevivencia, veio tão somente do fato de ser totalmente inocente.  DEUS, este personagem que acalenta os que tem Fé, os que NELE acreditam, deu-me forças, e conforto espiritual para não tomar uma decisão de reação, que por certo seria JUSTA, mas que me tornaria aí sim; um fora da lei.                                                                                                 Hoje, a própria pessoa que me caluniou, mostrou para toda a população  de minha cidade, quem na realidade é. Mostrou a ausencia de Carater, um comportamento indigno, e enlameou a  propria conduta.  Esperei e continuo esperando e confiando  na Justiça. Nunca fiz nada que pudesse ser reprovado pelo meu  povo. Estou  ainda no aguardo de que se faça justiça ao me reintegrarem a meus bens ou, ao que deles resta..      Mas os momentos vividos e sofridos, me fortaleceram como ser humano, e quero continuar na minha luta de preservação  da  Floresta, de seus habitantes, do meu mundo tão selvagem e tão puro, onde as ações e reações entre seus seres, são apenas frutos do instinto de sobrevivencia, nunca estimulado pela ganancia, pelo mau carater. ou o simples banditismo.    Doi muito mais que a mordida de uma cobra, a traição de quem se gosta.  Perdoem este desabafo, é que dentro deste velho homem, existe um coração que tenta desesperadamente achar que os humanos são melhores que as feras da minha  Selva Amazônica .
       .                                                                                                                                                   Tenho novos desenhos, vou começar a publicar tambem fotos que terão como tema, o dia a  dia de ,nossa gente, explicar o que achar necessário e através das  fotos, quem sabe conseguir convencer pessoas do Planeta todo que ainda é tempo de SALVAR de VERDADE a AMAZÕNIA.